Porque a gente não sai do lugar –especialmente quando tá muito perto da grade da pista– quando tá vendo uma banda que gosta tanto. Passar mal a gente até passa, mas aguenta até chegar em casa. [Parabéns, Jéssica, por estar publicando esse post exatamente 1 ano depois do show.]
Eu conheci Evanescence da mesma forma que você provavelmente conheceu: clipe de Bring Me To Life em 2003 ou 2004 na MTV. Não lembro quanto tempo demorei pra dar uma chance à música, mas foi só isso acontecer que não parei de acompanhar a banda nunca mais. Lembro que ganhei o Anywhere But Home (CD+DVD, na época que vinham na caixinha do DVD) de Natal da minha madrinha (♥) e vi aquele show tantas vezes que, mesmo com 12 anos, tinha decorado tudo que dizem entre as músicas. Fiquei bem triste de não ter ido nos shows deles da turnê do Evanescence –mas foi pra ver o pocket da Taylor no Rio que tive que abrir mão, então ficou tudo bem exceto o fato de ter perdido Oceans ao vivo.
E AÍ finalmente, pela primeira vez desde que eu vim morar em SP, Amy E Seus Amigos resolvem voltar. Mas, antes de falar de quão maravilhosos eles são, eu tenho que reclamar de algumas coisas.
A minha primeira reclamação sobre esse show vai pros meus amigos: ainda não acredito que tive que ir sozinha pra essa bagaça. Nunca fui uma pessoa de reclamar de fazer as coisas sozinha porque sempre gostei de estar sozinha, mas aí vim pra São Paulo e estar sozinha 24h por dia era o default e começou a ficar bem difícil pra minha saúde mental. Além de shows já serem naturalmente mais divertidos com companhia. Claro, encontrei a Lari por lá (e tiramos essas fotos sensacionais porque a luz estava ótima), mas a Lari estava na pista premium e eu na comum, então não deu nem pra passar muito tempo conversando.
A segunda reclamação vai pra quem quer que tenha decidido abrir os portões 3 horas antes do show, e no mínimo meia hora antes do previsto. Na rua pelo menos estava fresco, minha gente. Lá dentro é um inferno. Ok que tinha uma banda de abertura que até foi legal mas ninguém sabia que tinha e ninguém estava muito interessado em ver, mas mesmo assim esperamos uma ETERNIDADE até pra banda de abertura. E isso de abrir o portão antes do previsto também significa que foi bem na hora que eu tinha planejado sair pra pegar algo pra comer e tomar um café –o que significa que eu morri de fome das 5 da tarde até a hora em que cheguei em casa.
A terceira reclamação vai pra quem quer que seja responsável pela falta de ar no Espaço das Américas. Nunca passei tão mal em um show na minha vida e gostaria muito de não pisar lá nunca mais. A Nilsen foi comigo no The Pretty Reckless e teve que sair da grade porque tava impossível de respirar –e olha que não estava nem tão lotado–, mas naquele dia eu consegui até ficar tranquila. Mas no Evanescence tava muito, muito pior, inclusive por eu não ter conseguido comer nada devido à minha reclamação anterior. Até bateu um enjôo. Na pista premium, de acordo com a Lari, as coisas não estavam nem um pouco melhores, porque ela se sentiu do mesmo jeito.
A quarta reclamação eu vou jogar no ar aqui: tinha um certo casal insuportável, talvez na casa dos seus quarenta anos, que estava atrás de mim no show. Eu não tenho nada a ver com o que cada um faz da vida, e é escolha da pessoa se ela quer beber antes de um show ou não. Mas a partir do momento em que você passa a ser escroto, gritar no ouvido das pessoas que estão por perto (e que você não conhece) e ficar caindo pra cima delas antes do show e durante todo o show porque está bêbado… saiba que você é um espécime que não deveria estar bêbado em shows e está causando ódio mortal em todos ao seu redor.
Levando essas limitações em consideração, o show foi incrível. É claro que teria sido muito mais se eu tivesse ar e forças pra cantar o tanto que queria, e por isso eu torço pra nunca mais precisar pisar nesse lugar. Depois, obviamente, do show de Harry Styles, se por algum milagre da vida eu conseguir ir. Mas se tem alguém que quase consegue fazer você esquecer que está com fome, sem ar, enjoado e irritado, essa pessoa é Amy Lee. Particularmente Amy Lee em 2017, que é Amy Lee acompanhada de Jen Majura.
No show de Fortaleza em 2012, que eu sempre digo que queria ter ido porque teve minha música preferida (Oceans), a minha amiga reclamou que não teve Everybody’s Fool. NESTA TURNÊ, PORÉM, o erro já é corrigido no começo do show: o clássico do Fallen é a primeira música. Eu ainda tenho a impressão de que What You Want e Going Under, as duas que tocam logo em seguida, seriam aberturas melhores, mas eles fazem funcionar muito bem. The Other Side encerra essa primeira parte da setlist, e é tão maravilhosa ao vivo quanto em algum show gravado ou no próprio álbum.
ALIÁS, uma coisa que precisa ser dita é que eu fico feliz de ter ido em um show do Evanescence mais pra frente na carreira. Isso significa que eu vi uma Amy Lee que consegue controlar muito melhor sua respiração e fazer um trabalho muito mais próximo ao vivo do que fez nos álbuns –caso você também tenha decorado o Anywhere But Home, deve saber bem do que eu estou falando. E as músicas do Evanescence já são difíceis de cantar por natureza, particularmente as do álbum de 2011, então fica uma coisa LINDA de se ver.
Lithium inicia a segunda parte do show, primeira em que o piano está no centro do palco. Essa já é uma música que foi crescendo em mim com o tempo, e o show potencializou isso. Ao vivo, é um negócio que não dá pra explicar. Mesmo nunca tendo ligado muito pra Even in Death, que vem em seguida, ela ficou tão maravilhosa que eu meio que fiquei o tempo todo hipnotizada olhando pro palco. E My Heart Is Broken, segundo single do álbum de 2011, encerra muito bem essa segunda parte.

O público geral parece não ter percebido que o álbum de 2011 é o melhor da carreira da banda, mas a banda certamente percebeu, porque a próxima parte se inicia com Made of Stone e ainda traz a faixa bônus New Way to Bleed logo depois de Haunted, aquele hinão do primeiro álbum. Todas, especialmente a faixa bônus, estão entre as minhas preferidas. Depois veio a inédita Take Cover, que foi uma “surpresa” da tour e não sei se algum dia será lançada oficialmente, e acabou mais uma parte da set.
Entra o piano de novo. Entra a parte em que, mesmo com todas as 8 mil pessoas filmando com a droga do celular o tempo inteiro, você chora. A dobradinha de Breathe No More com a versão boa (da banda inteira) de My Immortal. A primeira não era das minhas favoritas na primeira vez que ouvi, mas foi crescendo muito com o tempo e ao vivo é DE DAR CALAFRIOS. A segunda, por ser o maior sucesso da banda, se torna ainda mais emocionante pelo fato de ser cantada pela plateia inteira. Nunca fui muito de me emocionar com essa música, pra ser sincera, mas lá, na hora, virei clichê mesmo. Todos viramos. Ah, veio uma Your Star depois, mas, como sempre, ela some em comparação ao resto da setlist pra mim. Não sei como funciona pra você.

The Change e Disappear (sim, Disappear, mais uma faixa bônus!!!) são as últimas representantes do álbum de 2011. Depois vem Call Me When You’re Sober, o melhor single até hoje, última representante do The Open Door. Então a sequência final é algo bem digno das turnês da época clássica: Imaginary, uma das mais empolgantes de toda a setlist, Bring Me To Life, que infelizmente perde quase toda a força ao vivo, e Whisper, o melhor encerramento possível.

