Dark Moon (2015)


ATENÇÃO, que este é um dos mais supremos joguinhos de discórdia e desconfiança de todos os tempos.

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A caixa do jogo. (imagem do boardgamegeek)

Dark Moon é um jogo de tabuleiro criado por Evan Derrick e lançado em 2015 pela Stronghold Games. Em 2011, o mesmo designer criou o jogo BSG Express, uma espécie de derivado fanmade do Battlestar Galactica da Fantasy Flight Games, e foi ele que deu origem ao que hoje é o Dark Moon.
Não cheguei a jogar a “primeira versão”, mas a página do BoardGameGeek (em inglês) traz várias informações e reviews sobre ela. Também nota que não se deve levar o BSG em consideração para analisar o Dark Moon, que não é necessário ter jogado o BSG para entender o Dark Moon (obviamente) e que houve várias mudanças substanciais até o lançamento oficial em 2015. Então, apesar de em vários lugares constarem como o mesmo jogo, não são.

O que é isso?

A história é a seguinte: os jogadores são personagens que trabalham em uma empresa de mineração e acabam presos no espaço. Parte deles está infectada com um vírus que não causa mudanças aparentes, mas faz com que eles queiram sabotar a base da equipe. Só que, como o vírus não causa mudanças aparentes, não existe um jeito de distinguir os infectados exceto por seu comportamento e comprometimento em salvar a base. Acho que isso explica mais ou menos bem.
No gameplay, essa parte das aparências se mantém. Nenhum dos jogadores sabe quem são seus aliados ou inimigos, e deve deduzir isso pelas ações ao longo da partida, a não ser quando um infectado se revela (mais sobre isso depois). The Resistance é um jogo com algumas características bem similares, mas nele os espiões se reconhecem antes do começo da partida; aqui, ninguém sabe em quem pode confiar. Existe uma mecânica parecida com a do Dead of Winter em que os jogadores podem chamar uma votação para mandar alguém de quem desconfiam para a quarentena, onde há certas restrições de ações.

É mais ou menos assim que funciona a votação.
É mais ou menos assim que funciona a votação.

Na fase de preparação da partida, cada jogador escolhe aleatoriamente um personagem e tira uma carta de “status”. Todos os personagens têm uma habilidade especial diferente, e as cartas de status definem se ele está infectado ou não.
Há três tipos de personagens infectados, que se distinguem somente pelo que acontece quando eles se revelam como infectados. Cada um deles causa dano em um sistema da base (falo sobre eles daqui a pouco) quando se revela. Se não se revelarem, essas habilidades não serão usadas.
Também nessa fase, é definido com base nas regras o comandante da equipe, que tem alguns poderes a mais — como o de desempate em votações. Se o comandante entrar em quarentena, deve passar o título para o jogador que convocou a votação que o colocou lá.

Como vencer x Como perder

Existem três sistemas no tabuleiro que representam a base e constituem as três condições “de derrota” do jogo. São eles shield (escudo), outpost (a própria base) e life support (suporte de vida). Se algum deles atingir seis pontos de dano, o time infectado vence. A condição de vitória para os não-infectados é completar todos os eventos (são três comuns e o evento final, alguns deles com propriedades especiais). Mais sobre os eventos depois.

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Exemplo do tabuleiro ao longo do jogo com dano no shield, outpost e life support. (imagem da review do Big Red Barrel: http://www.bigredbarrel.com/blog/2015/10/review-dark-moon/)

É possível e recomendável para os não-infectados consertar tanto shield quanto outpost quanto life support, pois o dano em cada um deles tem uma propriedade negativa diferente:
dano no shield: Cada vez que o shield é danificado, ou seja, cada vez que um marcador de dano é colocado no shield, o jogador da vez deve fazer um teste nele, jogando um dado no tabuleiro. Se o resultado desse dado corresponder ao que tem escrito no lugar do próximo marcador de dano no tabuleiro, o jogador deve colocar um marcador de dano no outpost ou no life support.
dano no outpost: O outpost tem seis marcadores de dano com propriedades diferentes. Cada um deles, tirado aleatoriamente de uma pilha quando o outpost sofrer dano, impede que algo seja feito no jogo. Essas restrições vão desde consertar os outros sistemas até convocar votações para a quarentena, e podem ser muito úteis aos infectados.
dano no life support: Para o life support, há fichas que representam os personagens em jogo, que também são sorteadas para marcar o dano. Os personagens sorteados ficam “fadigados” e não podem utilizar suas habilidades especiais.

Eventos e Objetivos

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Alguns exemplos de eventos. (imagem da review do ARS Cardboard: http://arstechnica.com/gaming/2015/11/ars-cardboard-reviews-dark-moon-a-faster-battlestar-galactica-board-game/)

Esses são alguns exemplos de eventos. O evento final é escolhido de uma pilha separada, e está no tabuleiro desde o começo do jogo, para que os jogadores comecem a pensar em estratégias. Os outros são escolhidos quando seus anteriores forem resolvidos. A escolha funciona assim: o comandante sorteia duas cartas da pilha correspondente e escolhe um em segredo. O outro volta para a caixa.
Cada evento é resolvido em no mínimo duas e no máximo quatro tasks (tarefas), que são escolhidas por todos os jogadores ao fim de seus respectivos turnos. O objetivo principal dos infectados é fazer, discretamente, com que as tarefas falhem. Dos não-infectados, com que elas tenham sucesso.

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Cartas de tarefa para número ímpar de jogadores. (foto do Big Red Barrel)
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Cartas de tarefa para um número par de jogadores. (foto do ARS Cardboard)

(Sim, existem dois decks de tarefas e é assim por uma questão de balanceamento.)

E como é que se faz isso? O que é que move esse jogo? Dados.
Cada jogador tem, por padrão, quatro dados, sendo dois pretos e dois vermelhos. Eles são usados para as tarefas, são usados para as votações (preto significa fora da quarentena, vermelho significa em quarentena) e podem ser perdidos ou transferidos entre jogadores pela ação de determinadas cartas. Os dados têm quatro faces com números negativos e duas com números positivos e são rolados em segredo. Para que as tarefas tenham sucesso, a equipe deve somar certo número (entre três e dez) nos dados.
Mas os dados, quando usados, são ‘gastos’ e ficam no tabuleiro até o início do seu próximo turno, quando você os recupera. Então, deve ser tudo feito com cuidado e equilíbrio.

O fato de serem dados representa uma variável a mais para a desconfiança. Enquanto no The Resistance você pode escolher se sabota a missão ou não, aqui você depende da sorte nos dados pra fazer essa escolha. É muito fácil ser confundido com um infectado quando se tem azar nos dados, por exemplo, especialmente porque todos vão ver o valor que você colocou.

Turnos e ações

Acho que só faltou falar dos turnos. Cada jogador tem seu turno, que funciona da seguinte maneira:
1. Recuperar os seus dados usados. Caso você tenha um limite de quatro dados e tenha usado três, pode escolher três dados quaisquer da área de “descarte” para pegar.
2. Escolher uma ação para fazer. Esta etapa pode ser pulada se você achar que não tem nada que precise fazer. As ações são: consertar (shield, outpost, life support), chamar uma votação para mandar alguém para a quarentena, tentar adiantar o evento sozinho, dar duas ações para alguém, ou se revelar como infectado.
3. Resolver a tarefa da vez. Você puxa duas cartas do deck de tarefa e escolhe uma para que o time resolva. Isso acontece como eu já expliquei, dos dados.

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Cada jogador tem um “guia” pra lembrar o que pode ser feito durante o turno. Assim como no Game of Thrones, essa peça funciona também pra esconder o jogo dos outros. (imagem do ARS Cardboard)

Tá, mas… existe no Brasil?

Dark Moon não saiu no Brasil ainda, e eu não sei nem se existe uma previsão. Nunca vi nada sobre ele em sites ou blogs brasileiros. A única edição que eu conheço é essa mesma que aparecemos jogando, que meu amigo comprou na Gen Con de 2015. Como não pude tirar as fotos que queria para o post, procurei em reviews de outros lugares. Os links estão nas legendas, caso queiram conferir.

Pequena observação: No dia em que as fotos do post foram tiradas, nós também gravamos uma das partidas para o canal do Nyah Army no Youtube. Eu planejava lançar tudo junto. Infelizmente, além de os editores serem super enrolados, o projeto do canal meio que morreu. Talvez algum dia este post seja atualizado com o vídeo, mas eu não contaria com isso a não ser que eu mesma fosse pegar esses arquivos e editar.
Uma breve ideia do que rolou, só que de outro ângulo:

E aí? Deu pra ter uma ideia de como funciona o Dark Moon? Você já conhecia? :)

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