Volta ao Mundo: Argentina


VEM se juntar a nós no país de janeiro!


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República Argentina
População: 41.281.631 (est. 2012)
Território: 2.780.400 km²
IDH: 0,836 (2014)

 
(mapa oficial salvo do site do governo argentino, dados da Wikipédia)


Na Argentina, se toma um mate que não é o chimarrão que tomamos no Brasil, e se fala uma língua latina que não é o português que falamos no Brasil. É do ladinho. É ~hermano~. Tem tradição de futebol também. Mas é completamente diferente, a começar pelos hábitos de leitura: uma pesquisa de 2000 revelou que os argentinos leem cerca de quatro vezes mais livros que os brasileiros. Certo, é uma pesquisa de quinze anos atrás e ela pode estar defasada — assim como pode não estar.
Também se escreve mais, proporcionalmente: são publicados anualmente no Brasil cerca de três vezes o número de livros publicados na Argentina no mesmo período. Mas nossa população é cerca de cinco vezes maior que a de lá. Mais detalhes das pesquisas aqui.

Agora vamos ao que interessa.

Os escritores!

Tenha em mente que não vou conseguir fazer uma lista completa ou igual à que um nativo faria, por exemplo. Então, se tiver algo a adicionar, à vontade! Aqui vão alguns autores argentinos mais conhecidos ou prestigiados, com uma pequena descrição que eu e o Felipe fizemos:

Julio Cortázar

Considerado por muitos o maior contista moderno, Cortázar foi um escritor argentino que… nasceu na Bélgica. Na embaixada argentina em Bruxelas, para ser mais exata. Mas aos cinco anos já morava na Argentina, país sobre o qual mais escreveu em suas obras. Cortázar também era tradutor, e traduzia Poe para o espanhol.
Um livro: Rayuela (1963) — no Brasil como O Jogo da Amarelinha (1994)
Um conto: A Auto-Estrada do Sul (1966)

Jorge Luis Borges

Tido como um dos expoentes (e um dos mais importantes exemplares) da literatura fantástica latino-americana, Jorge Luis Borges trabalhou como bibliotecário e professor universitário, mas se destacou, principalmente, como escritor. Em suas obras reina a irrealidade literária e o caos que governa o mundo. Dentre poemas e contos interligados, Jorge Luis Borges figura como um dos latinos mais traduzidos de todos os tempos.
Um livro: O Aleph (1949)

María Elena Walsh

Nascida na pequena Ramos Mejía, María é um dos grandes destaques da Argentina em mais de um aspecto: além de poetisa e escritora de, principalmente, livros infantis, a autora foi uma exímia compositora, tendo dado vida musical aos próprios escritos em mais de uma oportunidade. Vários de seus poemas são amostras de amor sinceras ao seu país, desafiando a ditadura argentina através desse sentimento.
Um livro: Dailan Kifki (1966)
Uma poesia: Serenata para la tierra de uno (musicada)

Adolfo Bioy Casares

Com uma narrativa excêntrica e de uma lógica própria, Adolfo, nascido em Buenos Aires, criou uma série de ambientes mágicos que povoaram o cenário da literatura latino-americana enquanto desafiava o dia-a-dia com uma verossimilhança esmagadora. Casares foi importantíssimo na formação de diversos outro(a)s autore(a)s, como Córtazar, que o incluiu como personagem em O jogo da amarelinha.
Um livro: A Invenção de Morel (1940)

Alejandra Pizarnik

Natural de Buenos Aires, Pizarnik se aventurou não tão somente na literatura, tendo estudando filosofia e se dedicando à pintura. Alejandra é uma escritora celebradíssima que tem ganhado mais destaque com o passar do tempo, sendo estudada por diversos acadêmicos, que desdobram mosaicos incríveis em suas obras até hoje.
Um livro: A Condessa Sangrenta (1971)

Cláudia Piñero

Piñero trabalhava com administração e contabilidade há dez anos antes de se dedicar à escrita. Também natural de Buenos Aires, ela escreve romances policiais e juvenis, além de ser roteirista de TV e cinema. Alguns de seus livros foram traduzidos para inglês, português, alemão e francês.
Um livro (ou dois): As viúvas das quintas-feiras (2007)
Tua (2015)

Angélica Gorodischer

Embora (surpreendentemente) nunca tenha recebido traduções brasileiras, Angélica é conhecida como uma das vozes femininas mais importantes da ficção científica latina de todos os tempos. Nascida em Buenos Aires, Gorodischer possui um vasto currículo criativo, indo de contos, ensaios, algumas peças e até mesmo roteiros para o cinema. Embora relativamente desconhecida no Brasil, a autora argentina é bastante lida nos demais países latinos, e até mesmo nos Estados Unidos – tendo influenciado trabalhos atuais do gênero. O problema aqui é: conseguir ler em espanhol ou inglês: a contista nunca teve suas obras publicadas no Brasil. Algumas delas foram traduzidas para o inglês, mas a maioria fica só no espanhol mesmo.
Um livro: Prodigios (1994)
Um conto: Sensatez del Circulo (1979) [link]

Liliana Bodoc

Desafiando um gênero pouco explorado na Argentina, Bodoc é uma criadora de textos épicos e fantasiosos, que despertaram a curiosidade do mundo inteiro. A autora foi traduzida para o inglês – tendo ganhando prêmios por sua escrita surpreendente e empolgante. Embora razoavelmente desconhecida no Brasil, Liliana Bodoc figura como uma das autoras mais populares na América Latina.
Um livro (ou três): La Saga de los Confines (2000-2004)
[o primeiro livro da saga, Os Dias do Cervo, foi publicado no Brasil pela Planeta em 2010 — mas só o primeiro]

Clara Voghan

Voghan era contadora, até que, em 2001, resolveu começar a publicar livros de romance contemporâneo. Ela parece ser conhecida pelo humor de sua obra, e o Kindle Unlimited tem várias de suas obras disponíveis em espanhol e inglês. Não tenho notícias de nenhuma tradução para o português ainda.
Um livro: Renata: ¿Cuantos kilos debo bajar para ser feliz? (2015)

Ana María Shua

Conhecida mundialmente como a “rainha da micro-história”, Ana María Shua já escreveu mais de oitenta livros desde que sua carreira como escritora se iniciou, sendo traduzida em inglês, francês, alemão, italiano, português, holandês, sueco, coreano, japonês, búlgaro, sérvio e muitas outras línguas. O impressionante trabalho da escritora, natural de Buenos Aires, envolve desde novelas, contos, noveletas, micro-histórias, poesia, drama, literatura infantil, livros humorísticos, trabalhos sobre folclore judaico, antologias, roteiros cinematográficos, artigos jornalísticos e acadêmicos – sendo cada um deles premiado em pelo menos uma parte do mundo.
Um livro: A Morte Como Efeito Colateral (2004)

César Aira

Considerado como um dos grandes expoentes da literatura contemporânea Argentina, Aira publicou mais de oitenta livros, que vão desde novelas, poemas, artigos acadêmicos e contos. Desde 1993 o autor argentino vem seguindo um ritmo frenético de escrita e publicação que chegam a até quatro livros por ano! Quando não está escrevendo, César está realizando projetos de tradução para o francês, inglês, italiano, português brasileiro e de obras estrangeiras para o espanhol.
Um livro (ou dois): Como me tornei freira (2013)
Haikus (2012)

Então… já sabe quem vai escolher pra começar o desafio? Tem algo a acrescentar? :)

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11 comentários em “Volta ao Mundo: Argentina

    1. Eu li alguns contos do Cortázar na faculdade e achei demais. Provavelmente vai ser minha escolha pra Argentina também. Quer ir compartilhando seu progresso ao longo do ano com a gente? :)

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  1. Olá Jéssica. Decidi fazer o desafio literário (achei uma ótima ideia, da qual me apropriei como resolução de ano-novo). Para a Argentina eu peguei um livro da Cláudia Piñero “Un comunista en calzoncillos”. Gostei muito do livro e da visão que ela passa sobre a Argentina no momento do Golpe Militar, em 1976. A autora diz que é uma espécie de livro de memórias + ficção, refletindo que a ficção faz parte da própria memória, do rememorar o passado. É um livro muito bom, recomendo a tod@s! Agora vou aguardar fevereiro para irmos ao México e, quem sabe, se der tempo, à Colômbia.

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    1. Eba, que bom que resolveu participar! Obrigada pelo comentário :)
      E esse livro parece bem interessante. Só que, como não leio em espanhol, tenho que procurar alguns que tenham tradução pro português ou inglês. Da Piñeiro, encontrei Tua e Betibu e fiquei tentada a comprar pro Kindle! hahahahah
      Também farei o possível pra postar as listas do México e da Colômbia antes do fim de janeiro, porque assim dá pra aproveitar melhor o próximo mês. Tem alguma sugestão?

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      1. Tenho sim. Do México eu li “Se Vivêssemos Em Um Lugar Normal” Juan Pablo Villalobos. É impressionante os paralelos que podem ser feitos entre o México e o Brasil, tem horas que, pela narrativa do autor, a gente acha que ele tá falando desde nosso país, muito bacana o livro.

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    1. Ahh eu queria ter incluído o Chile ou o Peru também, mas era tão pouco espaço pra tantos países :(
      Mas que bom que você conseguiu ler além do desafio! Vai fazer a Colômbia também? :)

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      1. Estou fazendo o México, um livro sobre as doações culturais e sociais das Américas para o mundo chamado La Generosidad del Índigena, que estava na minha estante fazia tempo e já estou lendo o da Itália pq escolhi o Eco, já comprei o do Japão e só esperando. Mas gostaria do link para os outros meses, pois só achei fevereiro

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      2. Só tem o link desses até agora mesmo. Vou postando no início do mês correspondente, ou no final do anterior, de forma que fique como uma viagem ao longo do ano mesmo :)

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