Meg Cabot – trilogia Airhead (Cabeça de Vento)


Assim que vi o book trailer de Airhead no canal da Meg Cabot no YouTube, botei na cabeça que TINHA que ler. Troca de cérebros entre uma nerd e uma modelo? E sendo de uma das minhas escritoras favoritas de todos os tempos? Não era algo que eu pudesse perder.
Então você imagina a minha reação quando, na passada pelo shopping durante minha viagem para a Disney em 2009, encontro de cara os dois primeiros livros da série. Nem sinal de alguns outros que me interessavam, mas esses estavam bem perto da porta.
Daí, enquanto todos comemoravam seus enormes gastos em M&M’s e outras coisas de que não me lembro exatamente, mas eram provavelmente roupas e pares de tênis da Nike, eu estava feliz com minha pequena compra de livros, um DVD do CMT Crossroads e a infinita lista de CDs.

E se eu disser que emprestei esses da foto pra uma amiga em 2011 e ainda não consegui encontrá-la de novo pra pegar de volta? Triste. Ao menos tenho os três em português também.

São três livros: Airhead (Cabeça de Vento), Being Nikki (Sendo Nikki) e Runaway (Na Passarela). O primeiro saiu nos EUA no primeiro semestre de 2008, o segundo em 2009 e o terceiro em 2010. No Brasil, Cabeça de Vento saiu no segundo semestre de 2010, Sendo Nikki em Julho de 2011 e Na Passarela no final de 2012, pela Galera Record, como praticamente todas as edições brasileiras da autora.
Agora no segundo semestre de 2015, a Galera disponibilizou os três eBooks no Kindle Unlimited, aquele ~Netflix dos livros~ do qual eu já falei antes. Eu provavelmente falei que o serviço valia a pena pro pessoal da fantasia/sci-fi, mas não de YA e chick-lit, e, bem… isso mudou agora que a Record resolveu entrar na parada.
Muito obrigada, Record, de verdade.

O Básico

Os livros são narrados em primeira pessoa pela protagonista Emerson Watts, ou Em. Ela é nerd e gamer e, assim como Christopher Maloney, seu melhor amigo desde criança, é odiada pelos que os dois chamam de “The Walking Dead”.
Não, não a série. É um apelido “carinhoso” para o grupo dos populares esnobes da escola, que, apesar de não serem retratados como personagens com pensamentos próprios, são idolatrados até pela própria irmã mais nova de Em, Frida.

airhead-nerd

Por ter que acompanhar Frida, Chris e Em acabam indo para a inauguração da nova loja da Stark, megaempresa que não é a do Tony e da qual eles (com motivos) não gostam nada, na cidade. Lá acontece um acidente que tem como consequência a morte de Em. Bom… não exatamente. Seu corpo morre, mas seu cérebro é transplantado para o corpo da supermodelo Nikki Howard, também conhecida como “a cara da Stark”. Nikki, supostamente, teve um acidente que lhe causou morte cerebral ao mesmo tempo em que o corpo da Em morria.
Que coincidência, não é mesmo?
Mas ninguém pode saber do transplante a não ser a família mais próxima e as poucas pessoas na Stark relacionadas à operação. Então Em tem que viver a vida de Nikki, limitando o máximo possível o contato com sua família e cortando o contato com qualquer outra pessoa do passado. Mas descobre que a modelo não é exatamente o que parece ser, e há muito mais sobre a Stark do que todos pensam.

airhead-hulk

A narrativa da Meg é leve e engraçada, como era de se esperar, e faz você querer acabar logo o livro e os próximos também. Mas, apesar de começar com uma mudança na vida da protagonista e envolver romance, não é exatamente aquele tradicional livro de chick-lit. Há muito mais temas abordados ali, se você souber prestar atenção. Assim como em The Hunger Games há uma forte mensagem anti-guerra que fica bem clara nas entrelinhas, o que você pode concluir imediatamente na série Airhead é algo tipo “as aparências enganam” ou “ninguém é o que parece”. Mas há sempre mais. Muito mais.

A Construção

No primeiro livro, conhecemos a história básica da série. Há o começo, mostrando a vida normal de Em, depois o acidente, depois a transição para a vida pós-cirurgia – a vida de Nikki Howard.
E então Em tem que viver com muitos dinheiros (fácil), em um loft maravilhoso (fácil), longe da família (difícil) e de Christopher (difícil), e trabalhar como modelo (Boss Lendário). Uma coisa que eu especialmente gosto nisso é a parte de se colocar na pele dos outros (aqui, literalmente). Não coloco isso em prática tanto quanto deveria, mas certos trechos dos livros, particularmente do primeiro, me fazem pensar.
O trabalho de modelo parece tão trivial que a Em, assim como muitos de nós, o subestima. Só que, claro, ela é uma nerdona que nem a minha pessoa, que não leva o menor jeito, e tem que se adaptar a tudo isso. Não só aos photoshoots, que já devem ser difíceis. Mas sim, inclusive a desfilar de lingerie, ficar de biquíni na água congelante e ter pessoas aleatórias trocando sua roupa. Ugh. A parte boa é que ela já está num corpo completamente lindo de alguém que já tem uma carreira, porque, se tivesse que começar a do zero a trabalhar de modelo em seu próprio corpo pra ganhar a vida… provavelmente não ganharia.

Nossa, Frida, mas que ótimo argumento. Só que não.
Nossa, Frida, mas que ótimo argumento. Só que não.

É claro que uma trilogia inteira só sobre isso poderia ficar cansativo e raso. Então fica óbvio que não é só isso.
Pelos olhos da Em (na verdade, os olhos são da Nikki, mas, como é tudo processado pelo cérebro da Em…) nós descobrimos mais sobre a vida e a personalidade da Nikki. A notícia que foi espalhada é que a supermodelo teve amnésia, porque aí a Em poderia usar isso como desculpa pra qualquer coisa que não soubesse. Como, por exemplo, que a dona original do corpo que estava ocupando tinha uma personalidade podre e era incrivelmente vaidosa, intrometida e metida também.
Descobrimos sobre seus amigos, seus namorados e, mais tarde, sua família. A melhor amiga, com quem divide o loft, é Lulu Collins, filha de um diretor de cinema e que quer virar popstar. Lulu é divertidíssima e responsável por momentos memoráveis como o fangirling sobre Taylor Swift (muito importante). Um dos personagens mais legais é o Steven Howard, irmão da Nikki. De verdade, eu adoro esse cara.
Não quero falar sobre os namorados que Em descobre no começo, pois todos idiotas e quaisquer coisas interessantes sobre eles seriam spoilers. Boa parte dos cliffhangers são relacionados a eles. Mas a “PR relationship” dela, sugerida pela Stark, é bem legal: Gabriel Luna, uma espécie de Ed Sheeran fictício antes que o mundo conhecesse Ed Sheeran. Só não é ruivo. Mas o mais interessante nessa história é que, é claro, Em não está nem aí pros caras famosos e continua apaixonada pelo Christopher há mil anos. Só que não pode vê-lo, obviamente, porque ele pensa que ela morreu.
DAÍ QUAL É A IDEIA BRILHANTE DA EMERSON?

airhead-nikki

Isso mesmo, ela se matricula na escola que frequentava na sua “vida antiga”. E finge que, quando Nikki Howard bateu com a cabeça e teve amnésia, algo lá dentro despertou uma vontade muito louca de estudar. Então lá vamos nós, entre sessões de fotos em penhascos e ensaios de desfiles, de volta à escola. Onde sua situação é o completo oposto do que era antes: idolatrada pelos “walking dead” e sem seu melhor amigo.
Então é claro que ela faz de tudo pra ficar próxima do Chris e, quem sabe, tomar uma atitude. Precisou esperar mil anos e morrer pra querer tomar uma atitude, mas pelo menos estar no corpo de uma supermodelo deve facilitar, não é?
SERÁ?
Não sei, mas ela até faz Nikki Howard jogar Journeyquest, o RPG em que Em e Chris eram viciadíssimos (creio eu que seja mais ou menos como Diablo), pra chamar atenção do menino no primeiro dia de aula.

Um questionamento pra minha vida.
Um questionamento pra minha vida.

E além disso tudo ainda há o pequeno probleminha do empregador, que eu deixei por último não por ser menos importante, mas porque qualquer coisa que eu falasse seria spoiler e não posso me prolongar. Mas é o seguinte: Robert Stark é um ser desprezível. E Em descobre, ao longo dos três livros, cada vez mais coisas inimagináveis sobre a Stark, que explicam o porquê de eu estar dizendo pra você neste exato momento que ele é desprezível.
Eu realmente gostaria de contar e dissertar sobre, porém já falei que seria spoiler. Mas realmente gostei de como as coisas foram apresentadas e de como a história foi desenvolvida. É a melhor série da Meg nesse quesito, talvez até melhor que A Mediadora. Não notei mais enrolação que o necessário nem coisas muito apressadas e ainda tive umas belas surpresas.

Então no fim das contas…

Airhead / Cabeça de Vento é uma das minhas histórias preferidas da Meg. Atrás apenas da série A Mediadora (apesar de em alguns pontos ser melhor que ela) e talvez um pouco à frente de Ídolo Teen. Talvez essa minha preferência já tenha ficado clara pelo número de vezes em que usei algum livro da série em uma tag. Não consegui lembrar, no tempo inteiro em que escrevia o post, de uma protagonista da autora com quem me identificasse mais do que com a Em. Até a Jenny ficou pra trás.

O pessoal da equipe da Saraiva não deve conhecer a expressão "alta resolução".
O pessoal da equipe da Saraiva não deve conhecer a expressão “alta resolução”.

Eu tive a chance de encontrar a Meg na última vez em que ela esteve no Brasil, em uma sessão de autógrafos aqui em SP. Podendo levar só dois livros que não fossem os lançamentos, escolhi justamente o primeiro da Mediadora e o primeiro Cabeça de Vento. Esse é o nível de importância. Quem liga pro Diário da Princesa, pfvr?

meg-autografos-mediadora-airhead

Então estou aproveitando esse momento pós-sessão-de-autógrafos-da-Meg e pós-adição-da-série-ao-Netflix-de-livro-da-Amazon pra postar sobre isso e, quem sabe, fazer com que TODOS LEIAM @_@

Mas, se você já leu, fique à vontade pra se juntar ao meu… apelo (?). Ou discordar deste post. Ou qualquer outra coisa.
Você já conhecia ou tinha lido a trilogia? :)

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