Sophie Kinsella – À Procura de Audrey


Porque, se você começa sem muitas expectativas e acaba querendo dormir abraçada com o livro até o fim dos dias, é sinal de que ele merece um post.

audrey-thumbTítulo: À Procura de Audrey
Autora: Sophie Kinsella
Skoob
Sinopse: Audrey, 14 anos, leva uma vida relativamente comum, até que começa a sofrer bullying na escola. Aos poucos, a menina perde completamente a vontade de estudar e conhecer novas pessoas. Sem coragem de sair de casa e escondida atrás de um par de óculos escuros, a luz parece ter mesmo sumido de sua vida. Até que ela encontra Linus e aprende uma valiosa lição: mesmo perdida, uma pessoa pode encontrar o amor.

(no Brasil pela Galera Record)

Eu resolvi comprar e ler esse livro pelos seguintes motivos:

  1. Nunca tinha lido nada da Sophie Kinsella, apesar de amar a história e o filme da Becky Bloom;
  2. Queria ir na sessão de autógrafos da Sophie Kinsella, mas não tinha nenhum livro dela;
  3. Tudo que vi relacionado a ele nos poucos blogs e canais que sigo foi positivo;
  4. A capa e o trabalho gráfico são SENSACIONAIS.

audrey-detalhe-capa

Lembrando que sessão de autógrafos era uma das exceções da minha nova regra de não comprar livros. Então tecnicamente não falhei ainda. Mas não se pode dizer que eu tinha muitas expectativas. Não sabia o que esperar, em especial porque não li a sinopse – gosto muito de fazer isso às vezes – e acabei tendo uma surpresa bem positiva.

O livro

À Procura de Audrey (no original, Finding Audrey) é o primeiro YA da britânica Sophie Kinsella e conta, em primeira pessoa, a história de Audrey, de 14 anos. A garota sofreu bullying e desenvolveu depressão e transtornos de ansiedade, e não consegue se aproximar de pessoas em geral. Passa todo seu tempo dentro de casa, a maior parte dele no quarto, e não tira os óculos escuros, como uma forma de proteção da imensidão que são os olhos das pessoas. Ela também gosta muito do escuro.

Audrey vive com os pais (Chris, analista financeiro, e Anne, designer que parou de trabalhar para cuidar da filha) e os irmãos (Frank, adolescente gamer, e Felix, de quatro anos). Em meio aos muitos conflitos de Frank, que pretende ser jogador profissional de LoC (Land of Conquerors, uma espécie de League of Legends fictício), e sua mãe, que foi levada a crer que o filho tem uma doença por ficar tanto no computador, Audrey nos conta sua história.

Aqui quero fazer uma pausa pra agradecer mais uma vez * a Sophie Kinsella por abordar esse conflito da mãe com o Frank, que eventualmente é superado e meio que cria uma aliança familiar em volta do jogo. Tendo eu mesma sofrido a ameaça de “vou jogar esse computador pela janela!” e encarado ANOS de matérias ridículas do Fantástico chamando meus amigos e eu de anormais viciados, posso entender o cara. Como é difícil e CHATO estar do lado dele da história. E olha que eu nem tinha a pretensão de ser profissional que ele tem. Então tá tudo bem passar 10h no mesmo dia na frente da televisão, mas não jogando? Então você não entende os meus interesses e por isso sou obrigada a abdicar deles? Ainda lembro a expressão de alívio quando uma falha de placa de vídeo me obrigou a largar o World of Warcraft. Ao menos isso ficou pra trás há um tempo, e agora eles dão até certo apoio. Ainda bem, porque temos o canal do Nyah pra construir.

Inclusive, um dos meus momentos preferidos é quando o time de LoC inteiro está ali jogando com suas Coca-colas e seus donuts, a família finalmente reunida em apoio. Não tive como não sorrir. E a internet deve ser boa na Inglaterra, hein? A minha mal era suficiente pra eu jogar sozinha, imagine pra um time inteiro. Por isso que as lan parties nunca foram na minha casa.

* E acontece que eu consegui ir à sessão de autógrafos da Sophie no shopping Pátio Paulista no dia 15/09 e agradecê-la pessoalmente. Mais sobre ela no próximo header.

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Continuando… conforme Audrey melhora, vai nos deixando conhecer sua história. Acho que é uma boa forma de entender como funciona quando temos uma doença desse tipo e sua seriedade. É uma forma de dizer “gente, não é simples assim”, “é assim que vocês têm que lidar com a pessoa”. Afinal, ela só melhora com um grande esforço próprio, além do apoio da família e de pessoas próximas, de tratamento médico e terapia.

Uma das coisas mais interessantes sobre o tratamento dela é a ideia do documentário. A dra. Sarah, a terapeuta, sugere que Audrey use uma câmera e grave pequenos momentos do dia em casa. Ela também narra esses momentos como observadora e, posteriormente, deve começar a interagir com as outras pessoas através do vídeo. Nós conhecemos esses pedaços da história através de transcrições das cenas.

E é claro que não podia deixar de falar de Linus, amigo de Frank do time de LoC. O cara mostra, mais que tudo, compreensão e empatia, e achei esse personagem muito legal. Ao ver, em uma visita, que assustou Audrey sem querer quando foi falar com ela, procura entender o que aconteceu com ela antes, o que ela está passando, e por que a assustou. Toma cuidado com as palavras e com todo tipo de contato, sabendo a reação que a proximidade de pessoas causa na menina. E, lentamente, ajuda a levantar Audrey.

Tendo passado por uma situação parecida com a dele em alguns aspectos, o personagem é especialmente importante pra mim.

E sobre a sessão de autógrafos…

Uma coisa que você precisa saber sobre Sophie Kinsella: essa mulher é maravilhosa.

É claro que, na hora, eu esqueci metade das coisas que ia dizer e comecei a gaguejar. Isso porque li UM livro dela e vi 15 minutos dos autógrafos antes do meu. Não quero nem pensar na vergonha que passaria se fosse uma fã antiga. No fim, acabei não lembrando de falar que tinha passado por uma situação parecida com a do Linus, mas consegui conversar direito sobre o que achei do arco do Frank, pelo menos. Sophie disse que isso foi inspirado por um dos filhos dela, que é fã do DotA, e que ela não joga, mas agora entende.
O nome original Land of Conquerors surgiu porque ela sabe que há uma divisão dos fãs de MOBAs, e imaginou que chamando o jogo de LoL ou de DotA, alguns poderiam torcer o nariz, achando que ela teria “escolhido um lado”. Mas o nome é bem legal. E, quando falei isso, ela disse “eu gosto também, deveríamos criar um MOBA com esse nome então!”, ao que respondi que tenho alguns amigos formados em Design de Games e posso sugerir a ideia e mantê-la informada. Preciso lembrar de sugerir, falando nisso. Vai que dá certo e cabe um quinto (sexto?) MOBA no mercado.

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A sessão de autógrafos foi na Saraiva do Shopping Pátio Paulista e começou às 18h da terça (15/09). As senhas, que poderiam chegar a 400, começaram a ser distribuídas às 16h, na livraria. Cada um podia levar até 3 livros, ao menos um sendo, obrigatoriamente, um dos lançamentos — o novo da Becky Bloom e este. Foi tudo incrivelmente tranquilo e organizado, as poucas pessoas com quem eu conversei por lá eram legais, e eu e minha amiga chegamos por volta das 15h e não tivemos nenhum problema. Pegamos as senhas 102 e 103. A sessão de autógrafos foi realizada pela Record junto com a Saraiva e, pelo que entendi, o consulado britânico.
E, falando no consulado britânico, eles organizaram também um café da manhã britânico naquele dia, com a autora e algumas blogueiras de destaque. Vi os posts da Lia e da Mel sobre o assunto e fiquei babando nas fotos. Com um sorriso no rosto pela oportunidade delas e uma pontinha bem grande de inveja branca. Parece ter sido muito, MUITO legal, além de ser bem diferente. E, enquanto estamos no assunto de “outros blogs legais”, a Nilsen, do Mudando de Assunto, entrevistou a Sophie na Bienal pra uma matéria no site da Folha que vale a pena conferir. Clica aqui pra ler.

Mas e aí, o veredito?

Era pra este ser um post rápido feito durante a falta de energia do temporal da semana da pátria em Vinhedo, mas ele acabou se estendendo por motivos óbvios. O livro tá indicado a qualquer um, a leitura é muito rápida – uma combinação de história, escrita, tradução, diagramação e tipo de páginas. Mas mais a escrita, é claro. Eu sinceramente amei esse livro. 13/10.

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2 comentários em “Sophie Kinsella – À Procura de Audrey

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