How I Met Your Mother


Já que comecei a falar de séries, nada me impede de falar daquela que é, de todas, a mais legen–wait for it–

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dary!

* Este também é um post comemorativo dos dez anos da estreia de How I Met Your Mother. Que é hoje. Meu próximo post deveria sair só daqui a dois dias, mas antecipei esse por motivos óbvios.

Nas primeiras vezes em que ouvi falar da série, não dei muita atenção. Confesso. Demorei ERAS para, de fato, ver: comecei e terminei — o que havia até então — em três semanas entre janeiro e fevereiro de 2012, nas férias da faculdade. A série já estava na metade da sétima temporada. O único momento em que eu percebi que eram tantos episódios assim foi quando baixei tudo.
Saí até fazendo review do Bro Code quando acabei. Onde falei asneiras do tipo que “ninguém se importa” com A Mãe. Relevem.

Uma questão importante que deve surgir na cabeça de quem nunca viu é “o que torna essa série diferente das outras séries de comédia por aí?” e eu não sei responder pontualmente. Mas vou fazer meu melhor pra responder ao longo dos muitos caracteres do post.

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Começamos com uma premissa interessante: em 2030, um “velho” Ted Mosby (Josh Radnor, com Bob Saget fazendo a narração de 2030) decide contar para os filhos (Lyndsy Fonseca e David Henrie) “a história de como conheceu a mãe deles”. Nós não sabemos por que ele resolve contar isso, nem por que os filhos parecem tão pouco interessados, nem por que ele escolhe começar de onde começou — o dia em que conhece Robin Scherbatsky (Cobie Smulders). Então basicamente a série inteira se passa em um longo flashback.
Ted é um arquiteto e um romântico incurável. Até chato nesse aspecto, na verdade. Os outros protagonistas da história são seus melhores amigos de faculdade, o casal Lily Aldrin (Alyson Hannigan) e Marshall Ericksen (Jason Segel), que são respectivamente professora e advogado, e o genial Barney Stinson (Neil Patrick Harris), cuja profissão é um dos grandes mistérios da série. Sério, só sabemos que ele é rico e tem um cargo importante. E aí tem a Robin. A canadense é repórter do jornal local e quer ser âncora no futuro. Ted se apaixona por ela, mas não parece que vai dar certo e ela realmente gostaria de ter amigos porque é nova na cidade. Então se junta ao grupo.
Mas, veja bem, Robin não é a mãe. Isso já é revelado no primeiro episódio. A identidade da mãe foi o mistério mais importante da série, sendo revelada apenas no último segundo da oitava temporada. A série mostra os desencontros amorosos do Ted de modo geral, mais especificamente todas as vezes em que ele quase conheceu A Mãe. Um guarda-chuva amarelo, uma colega de quarto, uma dica aqui e outra ali, nos deixando cada vez mais ansiosos pra conhecer essa personagem. A narração do futuro é um recurso que ajuda um monte na hora de criar essa expectativa.

Mas é sobre isso que é a série?
Não.

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How I Met Your Mother é uma série sobre a vida, sobre amizade, sobre timing. É uma série engraçadíssima, com personagens muito legais — o menos legal sendo, sinceramente, o protagonista –, música, piadas internas e recorrentes e boas referências.
Alguns insistem em dizer que as semelhanças com FRIENDS incomodam, que é uma cópia ou coisa do tipo. Na minha opinião, o principal motivo dessa ideia é que HIMYM surgiu pouco depois do final de Friends e, para alguns, pode ter preenchido esse espaço. Ambas falam sobre amizade e a vida, mas não consigo deixar de ver como duas coisas completamente diferentes. E, apesar de amar as duas, é só de uma delas que vou falar por aqui, então fica claro com qual me identifiquei mais.

Os personagens, as piadas recorrentes e a música

Já falei um pouco sobre os personagens ali em cima, então vou passar pouco tempo neles aqui.
Barney é uma espécie de Charlie Harper, só que mais esperto, mais carismático e menos nojento. É o dono das melhores frases e sacadas e de alguns dos melhores momentos da série. Ele e Marshall vivem em uma competição para saber quem é, de fato, o MELHOR melhor amigo do Ted. Lily conheceu Marshall na faculdade, quando ele era colega de quarto do Ted. Os três são próximos desde então. Um dos motivos de ficar claro, mesmo em alguns momentos confusos da série, que Robin não é A Mãe é que ela não pode ter filhos. Eu gosto muito do jeito e da história da Robin, que foi criada como um menino porque seu pai não admitia que ela era uma menina. É uma personagem bem ambiciosa, independente, esperta, centrada na carreira, sem muito filtro no que fala, mas que se importa muito com os amigos.
Um dos personagens secundários mais legais é o motorista Ranjit. Outro é o Blitz, interpretado pelo cara que fez o Hurley em Lost. E várias mulheres legais já apareceram como namoradas do Ted ou casos do Barney, tipo a Rachel Bilson, que tem um papel recorrente.

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Eu já falei que HIMYM tem várias piadas recorrentes. Elas meio que se tornaram piadas internas da série — e dos fãs. Vários episódios têm nomes criados a partir de alguma situação deles, mas isso é mais divertido vendo os episódios que lendo alguém falar sobre eles. Então vou me concentrar nas piadas recorrentes. Algumas delas:
• “slap bet“: aposta cujo prêmio para o vencedor é dar um número negociável de tapas no perdedor. Na série, um dos motivos de isso ser uma piada recorrente é que há uma aposta desse tipo rolando e nunca sabemos quando vai sair o último tapa.
• “Blitz“: o Blitz é um amigo da turma, conhecido por sempre perder os melhores momentos. Sempre que o Blitz sai da sala, acontece algo memorável. Logo, sempre que alguém tiver saído da sala e perder algo memorável por isso, será chamado de “o Blitz”. Tem um episódio inteiro dedicado a isso.
• “Major Buzzkill” etc: rola uma brincadeira com a palavra “major”, que em inglês também significa Major, o nível militar, mas pode significar algo no estilo do “mó” paulista. Qual é a brincadeira? Ao dizer algo estilo “major headache” (“maior/mó dor de cabeça”), os personagens faziam uma reverência ao “Major Dor de Cabeça”. Na tradução, boa parte da piada se perde, apesar de ainda ser possível uma brincadeira com o “maior”/”Major”.
• “dibs“: se você grita “dibs”, então é seu. É algo no estilo de “eu pedi primeiro”. Está indo pro carro com três amigos e quer sentar no banco da frente? Dibs! O termo não surgiu com a série, mas não era usado fora de alguns países de língua inglesa antes dela.

Também há as “teorias”, como a da azeitona (sempre uma parte do casal tem que amar azeitonas e a outra não e isso é um sinal) e a da sereia (depois de certo tempo de convivência, toda mulher parece atraente — só volta a ser feia quando grávida). A maioria das teorias é criada pelo Barney pra justificar suas ações.
Esta lista do Buzzfeed é uma compilação SENSACIONAL de muito do “foreshadowing” (recurso narrativo de dar dicas de algo que vai acontecer), das referências internas e das piadas recorrentes. Mas, apesar de não conter muita coisa óbvia, você não deve ver antes de ter acabado a série.

Música também faz parte da série. Não só por um de nossos personagens principais ter sido popstar na infância — criando a maravilhosa Let’s Go To The Mall e mais um monte de singles. No centésimo episódio, há um momento musical INCRÍVEL, onde o Neil Patrick Harris canta (com participação do resto do elenco) Nothing Suits Me Like A Suit. Há várias musiquinhas originais ao longo da série e também referências a músicas já existentes/consagradas.

Barney tem uma mixtape chamada Get Psyched Mix, que coloca pra tocar antes de ir para a balada, por exemplo. Lá, encontramos maravilhas como You Give Love A Bad Name e Free Bird. Ela aparece em um dos episódios:

Os livros

“Barney Stinson” lançou quatro livros ao longo dos anos. Dois deles, nós conhecemos muito bem na série: The Bro Code (lançado aqui pela Intrínseca como O Código Bro) e The Playbook (lançado aqui, também pela Intrínseca, como Playbook – O Manual da Conquista). O primeiro é tratado como um documento oficial na série, e é uma compilação de “regras” sobre amizade, família, hábitos e, bom, mulheres. A versão física publicada conta com um glossário, definições de quem pode ser um Bro e a lista completa do Get Psyched Mix. O segundo é uma espécie de coletânea de pequenas (ou não tão pequenas) encenações criadas pelo Barney com a finalidade de pegar alguém. Há alguns episódios específicos dedicados ao Playbook, meio que ilustrando alguns dos números.

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Os outros dois são derivados do Bro Code: Bro On The Go é como uma versão de bolso dele e The Bro Code For Parents é um guia para bros que entram nessa vida de maternidade/paternidade. Traz até uma paródia do Get Psyched Mix chamada Get Unpsyched Mix, com músicas mais lentas, no intuito de ajudar a colocar o bebê pra dormir. Esse é o único livro do Barney que tem páginas coloridas e o formato dele é maior do que os outros.

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Eu comprei todos pelo BookDepository há uns anos, inclusive o mais recente na pré-venda, mas as versões nacionais estão bem baratinhas e bem-feitas. Compensa ir atrás delas se você tiver interesse.

Aquela polêmica sobre o final

Neste pedaço, eu vou me controlar, mas pode ser que ainda escapem alguns spoilers. Então, continue por sua conta e risco ou pule para o próximo header.

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Os acontecimentos do final completam um ciclo quase perfeito e o episódio ecoa o piloto de várias formas — só que muitos anos mais tarde. Isso é uma das maiores provas de que a série fala sobre timing.
Eles haviam nos dado algumas dicas da resposta para uma das perguntas principais (“por que a mãe nunca aparece em 2030?”) ao longo desses nove anos, em especial na nona temporada. Eu acho que foi uma resolução interessante. Também acho que o final FINAL foi interessante, e revelou de verdade qual o propósito daquela história. Na verdade, tinha ficado claro lá no primeiro episódio, mas depois de nove anos tanta coisa muda que a maioria de nós se recusava a acreditar naquilo.
E é nisso que ficam minhas ressalvas: eu, pessoalmente, teria gostado muito mais desse final se a série não tivesse durado nove anos. Porque cinco desses anos, no mínimo, foram gastos desconstruindo duas ideias (a de Ted e Robin como um casal e a de Barney ser um homem incapaz de ter um relacionamento saudável), e vê-las jogadas na nossa cara novamente com poucos minutos para absorver é frustrante. É MUITO frustrante. E eu sinceramente entendo quem odiou esse final, mas entendo quem amou também. Porque veja bem…
Quer dizer que passamos uma temporada inteira conhecendo a Tracy e amando a Tracy (porque ela é a melhor personagem dessa bagaça), só pra isso? Passamos uma temporada inteira nos bastidores de um casamento que acaba em 20 segundos do episódio? É uma série DE COMÉDIA que tá jogando na nossa cara uma lição importante: a vida não é sempre justa, amigo. Às vezes, as coisas não acontecem como a gente quer ou acha que deve, nem mesmo no momento em que a gente acha que devem acontecer. Inclusive, o episódio “Trilogy Time” usa maratonas de Star Wars pra falar disso.

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Alguns amigos, também, acham que a existência da nona temporada foi um erro. Que, a partir do momento em que vemos A Mãe e o guarda-chuva amarelo, poderiam ter colocado ela e o Ted se conhecendo e encerrar ali. É um ponto de vista válido, mas eu não concordo. Alguma coisa na série teria ficado incompleta, pra mim, se depois de todos esses anos eu não pudesse sequer conhecer direito a Tracy. Que, novamente, é a minha personagem preferida.
Aqui tem uma review maravilhosa do final da série, em inglês.

Exibição

How I Met Your Mother estreou no dia 19 de setembro de 2005, na CBS. No Brasil, apenas em 2 de junho de 2012 (!!!), na FOX Brasil. Amigos, foi depois de ACABAR a sétima temporada. Quando já havia milhares de fãs por aqui. Na TV aberta, ficou por conta da Band e, atualmente, a série passa na Sony.
Os boxes com as temporadas completas não foram lançados no Brasil, mas pelo menos o Netflix tem a série quase inteira — as oito primeiras, de nove, temporadas.

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Esta lista traz os nomes de alguns dos melhores episódios. Eu faria a minha própria, mas são muitos e eu não conseguiria. Essa ficou bem legal.

Para os órfãos

Infelizmente, desde que a série acabou, não vi mais nada dos criadores Carter Bays e Craig Thomas. Uma série chamada How I Met Your Dad teve um piloto feito, mas não foi pra frente. Também não vi o Josh Radnor em mais nada. Mas vemos MUITO os outros quatro protagonistas por aí.
Antes de existir a série, Alyson Hannigan já interpretava uma das personagens principais dos American Pie clássicos. Jason Segel já tinha feito Freaks and Geeks e, desde então, estrelou ou participou de aproximadamente 4512589562 comédias bem conhecidas, tipo Ressaca de Amor, Ligeiramente Grávidos e Os Muppets.
Cobie Smulders teve papeis em vários filmes e séries desde que HIMYM começou, mas o mais relevante na minha opinião sempre será: ela interpreta a agente Maria Hill, do Universo Marvel. Então apareceu em Agents of S.H.I.E.L.D. e em vários dos filmes do Marvel Cinematic Universe a partir do primeiro Os Vingadores. E não preciso nem falar do sensacional Neil Patrick Harris. Mas, a saber, ele estrelava Doogie Howser, M.D. (Tal Pai, Tal Filho) quando era criança, apareceu em Glee (com esse cover incrível do Aerosmith) e, recentemente, fez até Garota Exemplar.

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Feliz dia de HIMYM! E você, o que acha da série? :)

pa pa pa paa
pa pa pa paaa
pa pa
pa pa ra ra ra ra ra ra raaaaa

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