O Mágico de Oz (1939)


Continuando a série de posts sobre O Mágico de Oz com aquele que a maior parte de nós conhece. Mas que eu já não conhecia mais.

Título original: The Wizard of Oz
Diretor: Victor Fleming
Ano: 1939
Filmow
Sinopse: Após um tornado em Kansas, Dorothy, vai parar com sua casa e seu cachorro na fantástica Oz, onde as coisas são coloridas, bonitas e mágicas. Porém, o seu maior desejo é retornar de volta para casa, para isso ela deve encontrar um mágico, que lhe mostrará como realizar esse seu desejo. Para chegar até ele, contudo, Dorothy, viverá uma aventura inesquecível através do caminho de tijolos amarelos.

Gente, esse musical é tão ícone que não sei por onde começar. Ganhou dois Oscars (e foi indicado a mais um monte), consagrou Judy Garland, está nos 250 de melhor avaliação do IMDb.com até hoje, e nos deu músicas como Somewhere Over the Rainbow. Que, quase 60 anos depois, virou Além do Arco-Íris em uma das últimas novelas legais da Globo, quem lembra?
E ele também faz parte de uma das maiores lendas da música: a ideia de que o The Dark Side of the Moon, álbum do Pink Floyd lançado em 1973, teria sido gravado como uma espécie de trilha sonora do filme. Todos os membros da banda e engenheiros negaram, alguns até brincaram com os rumores, mas não dá pra negar que é uma boa trilha sonora. Time quando ela foge e o começo de Money bem na entrada na terra dos Munchkins são as coincidências mais interessantes:

Os pontos principais, que não posso deixar de falar, são: a fotografia é MARAVILHOSA, eu percebi um monte de diferença pro livro e o Toto é o personagem mais sensacional dessa bagaça.
Uma das diferenças mais importantes, pra mim, é que aqui ela mostrava um certo sonho de sair do Kansas. Essa é, inclusive, toda a ideia de Somewhere Over The Rainbow. Os tios, apesar de ainda se importarem muito com ela, são mostrados como um pouco grosseiros — não os imaginava assim, mas mais sérios, com semblante cansado. Eles também chutam bundas em alguns momentos, o que adorei. Tipo naquele em que uma mulher bem chata quer levar o Toto embora e tá sendo grosseira com eles. NOT TAKIN’ ANY OF YOUR SHIT, MA’AM.
A casa do Kansas, aqui, não é isolada. Há vários vizinhos que trabalham na mesma fazenda e são amigos da família. São três deles, os mais próximos, que inspiram o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão. Porque, pois é, aqui tudo não passa de um sonho, assim como em Alice. É essa a diferença principal, destacada com néon rosa. No livro, não é um sonho. Ela não queria sair dali. Ela não bate a cabeça quando o ciclone leva a casa (apesar de dormir). E não há ninguém em quem basear os três amigos que Dorothy faz naquela terra mágica. O que eu acho bem mais interessante.

Somewheeeeeeere over the rainbooow... ♪
Somewheeeeeeere over the rainbooow… ♪

Algumas coisas parecem ter sido mudadas pelo fato de ser um musical ou pela mudança de mídia, enquanto teve coisa que mudou pra explorar a possibilidade de usar cores no filme, já que Technicolor era novidade na época. Por exemplo, a Bruxa Boa do Norte é mostrada antes dos Munchkins e com mais destaque ao longo da história, e a Bruxa Má do Oeste já aparece e é introduzida como vilã principal desde esse momento (apesar de haver umas teorias de que na verdade a do Norte que seria a vilã *). Acredito que esse destaque seja pro público identificar mais facilmente os personagens principais. Como exemplo do que mudou para explorar as cores, temos os sapatinhos mágicos da Bruxa Má do Leste, que acabam ficando com Dorothy: aqui são vermelhos, não prateados. Os prateados já poderiam ser bem retratados nos filmes em preto e branco, então mudaram para vermelho porque seria mais marcante.
* Já que você provavelmente conhece a história, vou direto ao que a teoria diz. A Bruxa Boa do Norte meio que causa toda a jornada perigosa em que Dorothy se mete: primeiro omite da menina que o poder de voltar pra casa está nos seus sapatos, depois meio que a manda atrás da Bruxa Má do Oeste. Concordar ou discordar da teoria fica por sua conta.

E posso falar que o fato de ser um musical tornou algumas cenas exageradamente longas? Quer dizer… quanto tempo gasto na terra dos Munchkins enquanto outras coisas legais ficaram de fora. Eu nem gostei tanto dessa cena na verdade. Foi bem bizarra. Mas “ding-dong, the witch is dead” é bem legal — e talvez uma das referências mais enraizadas na cultura pop, aparecendo em séries tipo Pretty Little Liars e Revenge.
A jornada de Dorothy, desde que parte, sozinha, na estrada de tijolos amarelos, até o momento em que bate os sapatinhos pra voltar pra casa, ao lado de seus amigos, ainda é muito interessante de acompanhar. Acho que, entre os três amigos, o que ficou melhor na adaptação foi o Homem de Lata, apesar de ter sido descaracterizado. Em nenhum momento mencionam que ele já foi humano, assim como em nenhum momento ele usa seu machado de lenhador. Mas ainda assim ele deixa o Leão e o Espantalho no chão.

emerald-city

Ler sobre a Cidade das Esmeraldas é um pouquinho impressionante, mas vê-la é bem impressionante. Adorei as cenas da cidade. Só ainda não decidi se gostei ou não de o verde não ser uma ilusão, mas, como simplificaram bastante o arco do Oz no filme — uma das poucas mudanças positivas na minha opinião –, faz sentido.
A cena em que os quatro estão no portão de entrada da cidade e o cara barbudo não quer que eles entrem foi citada em Gilmore Girls. Copiei o trecho em inglês, mas, caso queiram ver, é o episódio 3×21 – Here Comes the Son. Jess aparece para visitar seu pai e acaba dando uma de Dorothy.

JESS: I just wanna see Jimmy, okay?
SASHA: Hey, did you ever see The Wizard of Oz?
JESS: Yes.
SASHA: Remember when they go to the Emerald City and they ring the bell and the guy with the beard stuck his head out and they said that they wanted to see the wizard, and he said no, and they said, ‘She’s got the ruby slippers’, and he said ‘Well, that’s a horse of a different color. Come on in.’
JESS: Yes.
SASHA: Well, I’m the guy with the beard and I’m saying the no unless you can come up with the ruby slippers.
JESS: I’m his son.
SASHA: His son?
JESS: Yes, his son.
SASHA: Well, that’s a horse of a different color. Come on in.
(fonte do transcript)

Ainda há mais coisas diferentes, mas, mesmo que a Bruxa Má do Oeste tenha mandado só um obstáculo, em vez de quatro, e Dorothy não seja escrava dela nem controle os macacos alados, ainda é um belo filme. Achei os efeitos muito legais pra época, a fotografia (como já disse lá em cima) é maravilhosa, as atuações são legais, muitas frases são icônicas (com razão) e tudo mais. 8,5/10.

Créditos iniciais ♥
Créditos iniciais ♥
+oz:

[Parte 1: L. Frank Baum – O Mágico de OZ]
[Parte 3: Oz: Mágico e Poderoso (2013)]

Anúncios

2 comentários em “O Mágico de Oz (1939)

Obrigada por ler! Não quer deixar um comentário, não? :)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s