Quarteto Fantástico (2015)


Dez anos depois da primeira parte da adaptação com Jessica Alba e Chris Evans, a Fox lança uma nova versão dos quadrinhos da Marvel. Com personagens mais novos, uma pegada mais sci-fi e críticas igualmente negativas, eis o Quarteto Fantástico. Que não me impressionou, não me decepcionou, mas pode-se dizer que me convenceu.

Título Original: Fantastic Four
Diretor: Josh Trank
Ano: 2015
No Filmow.
Sinopse: Quatro jovens desajustados são teleportados para um universo alternativo e perigoso, que altera sua forma física de maneiras inesperadas. Com suas vidas transformadas, o time precisa aprender a aproveitar suas novas habilidades e trabalhar junto para salvar o planeta de um inimigo já conhecido por eles.

A exemplo do post do João no CC (muito bom, leia), onde ele escreveu “eu estou tentando resistir ao que parece ser o mundo inteiro se unindo pra odiar esse filme”, eu vim aqui defender o novo Quarteto Fantástico.
Não vou falar muito, porque a análise ideal compararia com os quadrinhos e, bom, eu não li os quadrinhos do Quarteto. Vi os dois filmes anteriores, li sobre alguns quadrinhos e joguei um montão de Marvel: Avengers Alliance e essa é minha base pra comparação. Mas é o seguinte: não, o filme novo não é uma porcaria, não é uma vergonha e também não é um filme de super-herói.

“NÃO????????/”

Não.
Acho que ficou bem claro durante o filme, apesar de ele sofrer de uma (também clara) falta de foco, que é um sci-fi. No começo, pelos trailers e comentários alheios, eu acreditei que seria um filme “high school”. Isso, além de me parecer chato, me passava uma vibe meio Smallville (e até Pretty Little Liars/The Vampire Diaries), com atores de 30 anos interpretando personagens na escola. Er… não. Não iria dar muito certo comigo se fosse assim. E, veja só, não é. Nem romance tem, ainda bem.
Primeiro, conhecemos o Reed (Richards, “Sr. Fantástico”) criança, o garoto tido como esquisitão que queria construir um teletransporte. É nessa brincadeira que ele fica “amigo” do Ben (Grimm, “Coisa”). Na verdade MESMO, o Reed fala que o Ben é amigo dele, mas sempre o trata como ajudante coadjuvante, e a dinâmica real dos dois ficou muito mais clara pra mim aqui do que na franquia anterior. Lá, lembro de ter visto o Coisa reclamar disso e pensar “cara, do que é que ele tá falando?”, mas aqui deu pra perceber muito bem. Eu queria, inclusive, dar uns tapas no Reed às vezes — e não só porque o Miles Teller faz um personagem muito pé no saco em Divergent.

Fantastic-Four-superpowers-Mr-Fantastic

Bom… o teletransporte do Reed dá certo. Ele e Ben apresentam em uma Feira de Ciências. E chamam a atenção do Dr. Franklin Storm, que estava trabalhando com sua filha Sue (Storm, “Mulher Invisível”) e um cara chamado Victor (von Doom, “Dr. Doom”) em um negócio parecido. Basicamente. Aí Reed ganha uma bolsa de estudos e vai trabalhar junto com eles. Mais tarde, Johnny (Storm, “Tocha Humana”), o filho do Dr. Storm que adora problemas, acaba se juntando ao “time”.

Fantastic-Four-superpowers-Human-Torch

Acho importante mencionar também que, aqui, a Sue é filha adotiva do Dr. Storm. Foi uma mudança que eu estranhei de primeira, quando vi que o Johnny e o pai eram negros e a Sue igualzinha à imagem clássica da personagem, porque os irmãos sempre foram retratados como fisicamente parecidos. Ao menos até onde eu vi. Mas logo fez sentido. E achei que foi trabalhado de um jeito legal no filme: sem querer levantar bandeiras de nada, mas meio que desafiando padrões. Não só pela questão racial, que por algum motivo ainda parece ser problema pra alguém, mas também pela ideia de haver inferioridade/superioridade de um filho biológico/adotivo sobre o outro em um relacionamento familiar. O que eu não acho que aconteça tanto assim, apesar de não ter vivido a situação. E, claro, tem o fato de a Sra. Storm ter morrido e, em todas as versões do Quarteto, o Sr. Storm ser responsável por eles sozinho por boa parte da vida e fazer um bom trabalho, o que também não é tradicional. E todos os três — particularmente a Sue — defendem fortemente a família deles.
E posso dizer uma coisa? Apesar de eu adorar o Chris Evans em todo filme que faz, o Johnny/Tocha daqui ficou MUITO legal. Posso dizer mais uma coisa? A Sue/Invisível ficou demais também. Os poderes dela e o jeito que foram mostrados fizeram dessa a melhor versão que eu já vi da personagem. A MULHER ATÉ VOA, CARA!

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Voltando à história: quando o bagulho de teletransporte fica pronto e ~as crianças~ estão bêbadas e pensando em usá-lo, o Reed liga pro Ben pra que se junte a eles. Então acabam indo os quatro homens — Reed, Ben, Johnny e Victor — pra um lugar chamado Planet Zero, que ninguém sabe bem onde fica, mas tem tipo um rio de uma gosma verde de aparência radioativa. Sue fica no laboratório, dando direções e ajudando os caras. Estão criticando essa parte por machismo, mas eu prefiro achar mesmo que é porque ela é a mais sensata de todo o grupo.
Mas é claro que dá um acidente enquanto eles estão no lugar desconhecido, porque eles são muito teimosos pra voltarem na hora que deveriam. Especialmente o Doom, que acaba ficando pra trás, engolido pela gosma verde. Quando os três são puxados de volta para o laboratório, a explosão pega a Sue também, e é aí que os poderes dos quatro começam a aparecer.

THE FANTASTIC FOUR

Nessa sequência é que fica bem clara a falta de foco. Enquanto os protagonistas estão ganhando poderes e aprendendo a lidar com eles, uma sequência-chave pro desenvolvimento deles, o filme decide se concentrar em… uma discussão política, longa e lenta, relativa à administração dos experimentos. Protagonistas da discussão: Dr. Franklin Storm e aquele cara que faz o padrasto da Kimmy Schmidt. É frustrante de verdade, porque o filme tem um ritmo bem rápido — talvez rápido demais — e esse pedaço quebra um monte o ritmo. O filme também é curto (100 minutos), então não custava nada estender um pouquinho no que fosse necessário ali, eu acho.
Basicamente, um ano se passa em segundos e eu não entendi nada que estava acontecendo.

THE FANTASTIC FOUR

Também ficou confuso o negócio do Doom.
“Que negócio?”, você pergunta.
Bom… tudo. Antes de mais nada, explicar o que raios são os poderes dele exatamente. Porque eu não achei que ficou muito claro, não. A gente viu que ele pode, basicamente, fazer qualquer coisa. Mas, enquanto o quarteto tem suas características bem definidas — apesar de mal desenvolvidas –, o Doom tem uma apresentação bem superficial. Nós só sabemos que ele é bem forte e o visual tá sensacional, mas não o que ele faz.
Aliás, o visual de todo esse filme está sensacional. Se você acabar não gostando de nada relativo à história/edição, que realmente têm grandes falhas, pelo menos acredito que vá gostar do visual.
Também não sabemos qual é a motivação do Doom pra fazer o que faz — um buraco gigante no céu, simplesmente porque sim? –, nem a fonte do ódio pelas pessoas que tentaram salvá-lo. Então, entre um protagonista que não ganha a nossa simpatia (pelo menos, não a minha) e um vilão que não foi desenvolvido, o filme te deixa um pouco perdido. Suponho que tudo isso teria sido muito melhor na cabeça do diretor Josh Trank, que já declarou que a visão que ele tinha pro filme não foi nada perto da que acabou nos cinemas. Pela quantidade de cenas do trailer que nunca viram a luz do projetor, eu acredito nele e espero que algum dia possa ver essa versão.
Ai, Fox…

Fantastic-Four-superpowers-Dr-Doom

No fim das contas, eu ficaria com um 3 ou 3,5 de 5 pro filme. Não é excelente, não tem foco, mas é suficientemente ousado/diferente e passa longe de ser tão ruim quanto dizem.
E você, concorda com quem?

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