Victoria Aveyard – A Rainha Vermelha (A Rainha Vermelha, #1)


Depois de muitos surtos da minha amiga no Snapchat por causa desse livro, eu peguei emprestado e li. E entendi os surtos.

rainha-vermelha-highTítulo: A Rainha Vermelha
Autora: Victoria Aveyard
Skoob
Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.
Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?
Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.
(no Brasil pela Companhia das Letras, no selo Seguinte)

A Rainha Vermelha já veio com hype do exterior e causou certa comoção por aqui, porque muita gente não parava de falar sobre ele, mesmo antes de ler. Depois, muitos reclamaram das semelhanças com outras histórias que já conhecemos bem. Recomendo o vídeo da Pam, apesar de não concordar 100% com o que diz, porque explica bem. Mas o hype faz sentido. É uma distopia com fantasia YA, bem legal e bem brutal. O básico dela é o seguinte: nossa protagonista, Mare Barrow, é uma “vermelha” que está prestes a ser mandada para a guerra por chegar aos 18 anos sem um emprego, só que, é claro, sua vida muda completamente quando ela descobre que é especial.
O que é uma “vermelha”?, você me pergunta. É alguém de sangue vermelho, que faz parte da classe mais baixa da sociedade neste universo. Os membros da elite têm sangue prateado e são chamados de “prateados”. Eles também têm poderes e são super brancos, meio como os Moroi de Vampire Academy, só que com uma variedade muito maior de poderes. Variedade nível X-Men. Tem gente que controla cada um dos elementos, controla o tempo, manipula metais, lê mentes, consegue fazer alguém imaginar uma dor terrível (estilo a Jane, da série Crepúsculo), mas eles usam esses poderes mais para lutar entre si em arenas e para intimidar os vermelhos.


“A boca do forçador se abre, como se não fosse bom da cabeça. Como se tivesse perdido a mente.
Não acredito no que vejo.
Um silêncio mortal recai sobre a arena enquanto assistimos à cena sem entender. Até Kilorn não tinha o que dizer.
— Um murmurador — suspiro em voz alta.
Nunca tinha visto um deles na arena… Duvido que alguém tivesse. Murmuradores são raros, perigosos e poderosos mesmo entre os prateados, mesmo na capital.”
(p. 14)


Os vermelhos devem ter um trabalho ao completarem dezoito anos. Se não, serão mandados para a guerra. Sem escolha, quase como um sorteio de tributos. Mare tem quase dezoito e ainda não conseguiu nenhum trabalho, então vê os pequenos roubos que faz como sua única maneira de ajudar a família até ser mandada para a guerra. Seus três irmãos mais velhos também foram para a guerra e a irmã mais nova, Gisa, é a única que conseguiu um emprego, como costureira.
E que guerra é essa? Bom… O que começou como uma briga por território entre Norta (reino onde se passa o livro) e Lakeland (reino inimigo) e já se estendeu por cerca de cem anos quando o livro começa. A maioria esmagadora de quem é enviado para lutar — e morre — é vermelho, mesmo que os prateados tenham poderes. Essa é a parte relevante.
Então dá pra ver que a história tem um quê de fantasia medieval (apesar de eu não ter lido tanto no estilo) além de ser distopia. Ela se passa em um período pós-apocalíptico onde, assim como no universo de A Seleção, a monarquia foi reinstaurada. [A autora fala um pouco sobre isso aqui.] Um pouco como em Vampire Academy e, talvez, Game of Thrones, o trono só pode ser ocupado por um prateado de determinadas famílias reais, ou “casas”.


“Nossa professora nos contava cheia de orgulho que Norta era a luz do mundo, uma nação grande por sua tecnologia e seu poder. Todo o resto, como Lakeland ou Piedmont, ao sul, vive nas trevas.”
(p. 25)


O melhor amigo de Mare se chama Kilorn e trabalha como aprendiz de um pescador. O relacionamento deles no começo me lembra algo como uma versão menos hostil de Kile e Eadlyn em A Herdeira. Ao mesmo tempo em que eles têm algumas diferenças importantes na forma de ver o mundo e o adjetivo que Mare usa para defini-lo é “útil”, ela também deixa claro que o cara é provavelmente seu único amigo de verdade.
Ele está tranquilo em relação ao seu destino por ser aprendiz, mas acaba na mesma situação de Mare quando seu mestre morre (!). E aí, quando os amigos estão se acostumando com a ideia de irem juntos para a guerra, Mare conhece um cara simpático chamado Cal, que acaba lhe arranjando um emprego. Um emprego como criada no palácio, mas um emprego. Um que acaba a salvando do destino da guerra. Por mais desagradável que seja pra ela, é um emprego.


“Minha posição é privilegiada: atrás das flores, no mesmo patamar do camarote do rei, mas um pouco atrás. Mare Barrow a poucos metros do rei. O que minha família pensaria? O que Kilorn pensaria? Este homem nos manda para a morte, e eu me tornei de bom grado sua criada. Me dá nojo.”
(p. 67)


Um negócio meio estranho que está acontecendo quando Mare começa a trabalhar lá é uma espécie de “show de talentos” para o príncipe herdeiro (mais velho dos dois filhos do rei) escolher sua futura esposa. Não me lembrou muito A Seleção, como a maior parte das reviews citou, não. Lembrou mais as cenas de The Hunger Games em que os tributos devem impressionar os jurados. Enfim…
Um acidente durante esse evento revela que Mare, na verdade, tem poderes também, apesar de não ser prateada. E aí a família real a “acolhe” (bem contra a vontade de todos, mas sim) pra manter como segredo o fato de ela ser vermelha, e até promete Mare para o filho mais novo do rei, o príncipe Maven. É a partir daí que a história de fato se desenrola, e de jeitos ainda mais malucos que eu imaginava.


“— O que quero de você é impossível — dispara Tiberias. Um ardor tênue em seu olhar revela o desejo de me incinerar.
Lembro das palavras da rainha.
— Bom, não fico triste por você não poder me matar.
O rei ri.
— Não disseram que você era esperta.
Sou inundada de alívio. A morte não está à minha espera aqui. Ainda não.”
(p. 91)


Deu pra perceber que citei várias séries de distopia e fantasia por aqui, e é esse o ponto negativo na maioria das reviews. O fato de haver muitas semelhanças, de um jeito que alguns têm mais a sensação de já ter visto aquilo antes que a de que a composição da história foi original. Li/vi reviews quando estava no segundo capítulo e comecei a perceber um pouco demais as semelhanças, achando que teria a mesma opinião. Mas depois me desprendi e comigo a história funcionou. Entendo quem cansou porque já tinha visto vários elementos antes, sim, mas também entendo quem achou o melhor livro da vida. Acho que a autora soube trabalhar isso.
Vou até listar mais umas coisas familiares, só porque sim. No começo do segundo capítulo (p. 17), Mare fala do mundo “além das colinas” perto de onde ela conhece, de uma forma que me lembra muito a idealizada pela Tris em Divergent. Ela sonha que tem algo melhor lá, longe da história de prateados e vermelhos, assim como Tris olha pra cerca sonhando que o mundo fora dela seja melhor. Mais pra frente, conhecemos os príncipes. Os dois me lembram o Maxon de A Seleção, um pela personalidade que demonstra e o outro pelo envolvimento nos negócios. E, perto do final, [SPOILER] quando Mare e Cal estão na arena, prontos para a morte, eu me peguei pensando “POR FAVOR, autora, tenha inventado algo como o final de Catching Fire, onde forças superiores do plano tiram eles da arena!”. E isso realmente aconteceu, e [/SPOILER] eu fiquei feliz. Apesar, é claro, das semelhanças, não havia outro jeito bom de resolver aquele problema.

Afinal, o fato de conhecer todas essas outras histórias estraga a experiência?

Hmmmmm… não. Não pra mim, pelo menos. Depende de dois fatores principais: quanto você se importa com elementos que já conhece e quão bem o autor sabe trabalhar esses elementos. EU não me importo, desde que não pareça pura repetição, e aqui achei que ficou original porque não é puramente distopia. É uma fantasia. Só nisso entram elementos que as séries de distopia pura não podem ter.
Preciso lembrar também uma coisa legal que as semelhanças entre séries me proporcionaram recentemente. Lendo o último livro de Vampire Academy, há uma cena parecidíssima com a simulação dos medos na série Divergente. PARECIDÍSSIMA. E foi por causa disso que eu soube do que se tratava e entendi melhor a história. Se não conhecesse antes, provavelmente ficaria tão confusa quanto a Lissa. Achei mais legal entender antes.
E tem um assunto que preciso detalhar aqui: a meu ver, as comparações com A Seleção são bem rasas. O que eu acho mais válido é o básico sobre a política do lugar — em especial, sobre ser um negócio pós-apocalíptico onde a monarquia foi reinstaurada. Mas realmente não vejo essa semelhança toda. Até porque, vale lembrar, a série de Kiera Cass é uma série DE ROMANCE. NÃO É UMA DISTOPIA. Porque, apesar de a ambientação ser, sim, uma sociedade distópica, a história NÃO É sobre salvar Illéa. Nunca foi. Aquilo acontece como consequência da vida amorosa e familiar de America, que sempre foi o foco. Só nisso as duas séries já são bem diferentes. Em A Rainha Vermelha, boa parte das poucas aparições do romance até me incomodam, de tão pouco relevantes que são em relação ao futuro da família e da própria Mare.

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Vou encerrar com um 4.5/5 e a melhor frase do livro, que não se aplica ao post *sorriso de quem acabou de fazer uma piada de tio*:


— Quando você vai perceber que cada palavra que saiu da minha boca era mentira?


E você, já conhecia o livro? O que achou?

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5 comentários em “Victoria Aveyard – A Rainha Vermelha (A Rainha Vermelha, #1)

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