Fábio Moon & Gabriel Bá – Daytripper


Enrolei pra ler a Daytripper. Ah, como enrolei. Também enrolei pra escrever este post. Finalmente resolvi fazê-lo pra tentar evitar que você cometa o mesmo erro. Vamos lá.

Os “Wonder Twins”, ou simplesmente Gabriel Bá e Fábio Moon, talvez sejam os mais reconhecidos quadrinistas brasileiros. Os gêmeos estão entre os quadrinistas mais premiados da atualidade em todo o mundo, trazendo em seu currículo alguns Eisner (tipo o Oscar dos quadrinhos publicados nos Estados Unidos), inclusive pela própria Daytripper, e trabalharam com diversos artistas diferentes ao longo das aproximadamente duas décadas de carreira, apesar de terem mais parcerias só entre os dois.
Se você conhece bem My Chemical Romance, talvez saiba que Gerard Way também escreve quadrinhos e que foi o Bá que ilustrou sua primeira série, The Umbrella Academy (que veio ao Brasil pela Devir). Bá também fez capas variantes para a segunda série de Gerard, The True Lives of the Fabulous Killjoys, inspirada no conceito do último álbum de estúdio do MCR. O trabalho mais recente dos gêmeos, Dois Irmãos, é uma adaptação ilustrada da obra de Milton Hatoum e, em pouquíssimo tempo de lançamento, já causa impacto fora do Brasil. Em abril, foi lançada a versão em francês (“Deux Frères”), em outubro acontece o lançamento americano da versão em inglês (“Two Brothers”) e acredito que o lançamento em italiano esteja próximo.

A foto tá no post deles sobre a Comic-Con de San Diego (link na imagem).

Os gêmeos têm um estilo de desenho único. Quer dizer, apesar de eu ainda não ter lido tantos quadrinhos quanto gostaria, não vi nada parecido ainda. Mas não importa, porque não vejo os quadrinhos deles como o tipo que se destaca por ter “um desenho bonito”. Apesar de a arte ser maravilhosa, isso é um motivo superficial. Os quadrinhos deles são do tipo que tem história e escrita envolventes e desenhos perfeitos pra passar a mensagem, que é o que interessa. O jeito dos gêmeos com as palavras, tanto em inglês quanto em português, é demais. Os desenhos são tão elaborados quanto precisam ser, mas com personalidade.
E as histórias são geralmente sobre… a vida. Como é o caso da Crítica, série de histórias curtas das quais os gêmeos são protagonistas, e da Daytripper, sua obra-prima. Moon e Bá são paulistas, nascidos e criados na capital, que é cenário de muitas das histórias que vemos em seu trabalho. Eles têm, inclusive, uma tira semanal na Folha de São Paulo, chamada Quase Nada, que também publicam em seu blog.

(Quase Nada 308, link na imagem)


daytripper-high
Título: Daytripper
Autores: Fábio Moon & Gabriel Bá
Ilustrada por: Fábio Moon & Gabriel Bá
Skoob
Sinopse: QUAIS SÃO OS DIAS MAIS IMPORTANTES DA SUA VIDA? Conheça Brás de Oliva Domingos. Milagroso filho de um mundialmente famoso escritor brasileiro, Brás passa os dias escrevendo obituários e as noites sonhando em se tornar um autor de sucesso – ele escreve o fim da história de outras pessoas enquanto a sua própria mal começou. Mas, no dia que sua vida começar, ele será capaz de perceber?
(no Brasil pela Panini)


Na Daytripper, seguimos a história de Brás de Oliva Domingos, que escreve obituários em um jornal de São Paulo. Seu pai, Benedito, é um escritor famoso, e o relacionamento de Brás com ele é bem problemático. Com a mãe, um pouco melhor. Também somos apresentados ao seu melhor amigo, o colega de trabalho Jorge. E à esposa Ana, e a uma antiga namorada… as pessoas mais relevantes do círculo dele em cada fase da vida.
A graphic novel fala sobre a vida, e a morte tem um papel muito relevante aqui. Não posso ir muito além no assunto, pra não transformar em spoiler, mas isso já começa a ficar claro pelo trabalho de Brás: escritor de obituários. Uns obituários muito bons, devo acrescentar. Mas obituários. Temos vários encontros com a morte ao longo da história, todos meio que reforçando a imprevisibilidade da vida.

"Ahh, mas você sabe muito bem que a morte é parte da vida, meu amigo." (p. 25)
“Ahh, mas você sabe muito bem que a morte é parte da vida, meu amigo.” (p. 25)

A rotina do Brás e os sentimentos dele são bem trabalhados, então há vários pontos de identificação aqui. Descobrimos que ele gostaria de escrever livros, não apenas obituários. Somos levados em uma viagem à Bahia — o que se torna mais interessante se você já passou por algum dos lugares retratados. Vemos o protagonista compartilhar o valor de um café

Tirei essa foto durante a minha primeira leitura. Me identifiquei fortemente.
Tirei essa foto durante a minha primeira leitura. Me identifiquei fortemente.

Eu li a Daytripper sem saber do que se tratava, só seguindo tardiamente umas indicações bem insistentes dos meus amigos. Conhecia de leve o trabalho dos gêmeos na época, porque já tinha lido Umbrella Academy e pesquisado um pouquinho, mas, por algum motivo, enrolei bastante pra ler. Um erro, claramente. Mas acabou sendo bom, porque o momento em que eu peguei emprestada e finalmente li foi bem… oportuno. Ela já teria mudado a minha vida em qualquer circunstância, mas naquela foi mais marcante. Não preciso entrar em detalhes, mas só vou dizer que foi no finalzinho de 2012, um ano incrivelmente maluco, triste e feliz, pra mim e pras pessoas mais próximas. Poucos dias depois de ler, fui com uma amiga à FNAC em Porto Alegre, comprei a minha e a convenci a comprar também.

(p. 65 da edição da amiga, foto postada por ela)
(p. 65 da edição da amiga, foto postada por ela)

Uma review do blog Comic Revolution destaca que “para uma graphic novel, é uma coisa poderosa fazer você sentir, e Daytripper faz isso sem o menor esforço”. E é verdade. Você sente tudo que eles passam e é MUITO fácil se emocionar em alguns momentos. Sabe o que eu falei ali em cima sobre o jeito dos irmãos com as palavras? Então. Basta dizer que várias das minhas frases preferidas de qualquer obra que eu tenha lido estão aqui. Perks of Being a Wallflower tem algumas, mas Daytripper tem mais.

"O momento que nunca vai desaparecer. O momento que todos nós buscamos. O momento que ele encontrou. Ou que encontrou ele." (p. 80)
“O momento que nunca vai desaparecer.
O momento que todos nós buscamos.
O momento que ele encontrou. Ou que encontrou ele.”
(p. 80)

No mercado americano ela foi lançada como uma minissérie de dez números e depois na edição completa, onde cada número equivale a um capítulo. * Cada capítulo conta um ano (ou fragmento de ano) da vida de Brás, com seus conflitos particulares. Apesar de não estarem exatamente em ordem cronológica, a compreensão da história não é prejudicada. É muito legal como ela vai se formando com o tempo assim.

* Sobre as edições completas

Nos Estados Unidos, originalmente, a Vertigo lançou a edição em paperback (capa mole). Em abril de 2014, saiu uma edição deluxe em capa dura, com jacket, capa nova e conteúdo extra (!). E ela é realmente maravilhosa, mas inviável pra mim por enquanto. Por enquanto.
No Brasil, a Panini lançou a edição igual à primeira da Vertigo, mas em capa dura. Portanto, superior. É a que eu tenho, que aparece nas fotos de edição física do post, e você pode conferir o preço aqui. Por outro lado, não tivemos a deluxe no Brasil.

E você, já conhecia a Daytripper? Se não, COOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRE! (E volta aqui quando terminar e estiver chorando com tamanha ~lindeza~.)

Anúncios

2 comentários em “Fábio Moon & Gabriel Bá – Daytripper

Obrigada por ler! Não quer deixar um comentário, não? :)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s