Taylor Swift – 1989 (2014)


Há alguns meses, a Taylor Swift anunciou que seu próximo álbum seria o primeiro completamente pop. A inspiração pra ele foi, principalmente, da década de 80, e, por isso, ele foi batizado com o ano de nascimento da cantora: 1989. Eu, mesmo não sendo “viúva do country”, desgostei de Shake It Off de início e fiquei com certo medo depois de ver que quase tudo era parceria com Max Martin. Agora o medo foi embora de um jeito que tirou até o desgosto dessa música. Eis o porquê de tudo isso.

Vamos a um apanhado dos envolvidos no processo de composição e produção do 1989:

  • Taylor Swift, minha cantora preferida e dona dessa bagaça: todas as letras, no mínimo quase todas as melodias, co-produção, produção executiva do álbum e tudo mais;
  • Max Martin, sueco fábrica de hits desde Britney a Bon Jovi e responsável pelas duas piores músicas do Red mais Trouble: participação em letras, melodias e produção de 9 das 16 músicas, produção executiva do álbum e backing vocal esporádico;
  • Johan Shellback, sueco fábrica de hits que trabalha com o Max Martin em quase tudo, inclusive naquelas 3 do Red: participação em letras, melodias e produção de 7 das 16 músicas;
  • Jack Antonoff, guitarrista do fun., líder do Bleachers, namorado da Lena Dunham e amigo da Taylor: participação em letras, melodia e produção de 3 das 16 músicas;
  • Ryan Tedder, líder do OneRepublic e produtor que já deu a mesma música pra Kelly Clarkson e Beyoncé: participação em letras, melodia e produção de 2 das 16 músicas;
  • Imogen Heap, cantora-compositora-produtora indie britânica que, diferentemente da Katy Perry, tem Grammy e já teve música em The O.C.: co-compositora e produtora de uma das 16 músicas;
  • Ali Payami, DJ que não existe na Wikipedia: co-compositor de uma das 16 músicas.
  • Nathan Chapman, produtor parceiro musical de longa data da Taylor: produtor de uma das 16 músicas.

Ao todo, só uma das 16 foi composta inteiramente pela Taylor. E ler essa lista na época que saiu já deixou claro que, primeiro, o álbum seria muito mais coeso que a bagunça que foi o anterior e, segundo, havia certo perigo de trazer muita música descartável, como 22. Felizmente, a segunda parte não aconteceu. Mas quanto à primeira:
O 1989 é sonoramente coeso como foi o Speak Now, que era inteiramente country-pop, com algumas músicas que tendiam para um dos lados (Mean, The Story of Us), ou traziam pitadas de algo diferente (Haunted), mas não saíam da mistura. Acontece basicamente a mesma coisa aqui: tudo é pop e o instrumental tem uma pitada daquele pop-dance da década de 80, mas não mais que isso, nem de um jeito que pareça datado.

Shake It Off foi lançada como primeiro single justamente pra marcar a nova fase. Apesar de não soar muito parecida com o resto do álbum nem ser tão boa quanto a maioria dele, foi uma boa escolha porque o clima de “haters gonna hate, but I’m just gonna shake it off” é o que marca a atitude da própria Taylor em relação a basicamente tudo. Ela também ironiza o que a mídia pensa dela, com alguns dos primeiros versos sendo “I go on too many dates, but I can’t make them stay… at least, that’s what people say”. A melodia leve, sem muitas complexidades, mas com batidas marcantes, animada, feita pra dançar, não é o tipo que se escolhe como obra-prima, mas o tipo que te levanta num dia ruim. E as batidas marcadas são predominantes no álbum, que só tem duas ou três baladas.
O segundo single, Blank Space, também trata dessa relação entre a Taylor e o que a mídia pensa dela. Inclusive, “media song” era seu apelido antes de o álbum sair, por causa das breves descrições de matérias de revistas e fãs que foram às Secret Sessions *. É mid-tempo, tem um refrão muito empolgante e divertido, uma das melhores letras do álbum e deu nome ao novo perfume da Taylor: Incredible Things. Aqui ela solta frases maravilhosas como “Got a long list of ex-lovers, they’ll tell you I’m insane, but I’ve got a blank space, baby, and I’ll write your name”. É uma das minhas preferidas e também em geral dos fãs – no grupo que surgiu da nossa comunidade no Orkut, a enquete trazia Blank Space em primeiro com certa folga mesmo antes do anúncio como single. A última vez que lembro de um single ser tão bem-aceito desde o vazamento do álbum é You Belong With Me. Sério, Blank Space é genial e o clipe, mais ainda.

* 1989 Secret Sessions: uma série de eventos secretos que a Taylor fez em todas as suas casas pelos EUA, assim como na dos pais em Nashville e em um hotel no Reino Unido. Pra cada um deles, ela escolheu a dedo 89 fãs que tinha stalkeado no Tumblr e Instagram, fez cookies e chamou esses fãs pra ouvirem o 1989 na íntegra antes do resto do mundo. Em cada uma das casas dela. Eles não podiam compartilhar mais que descrições vagas das músicas, mas quem liga quando se pode tirar polaroids com a Taylor, as gatas dela e os Grammys?

Falando nas gatas, essa propaganda aqui em cima, da Diet Coke, antes do lançamento do 1989, trazia a Taylor rodeada de gatos com uma música divertida tocando no fundo. Era How You Get The Girl, que tem a temática bem parecida com Get The Girl Back dos Hanson: um manual pra consertar uma cagada que você fez e custou seu relacionamento. É uma das menos preferidas dos fãs no geral, mas uma das que eu particularmente mais gosto. E não soa muito 80s.
New Romantics, última faixa bônus da versão deluxe, sim. Soa 80s, é divertida, é empolgante PARA CARAMBA, é tão a cara da nova fase da Taylor quanto Shake It Off e é muito maravilhosa. Na minha opinião, essa é a música que deveria abrir o álbum, então é uma heresia que não tenha nem entrado na versão comum enquanto a fraquinha Welcome to New York é a primeira faixa. Pelo menos, apesar de fraquinha, tem um quê do som da época e a segunda parte do refrão é bem boa. Mas, ao todo, é a mais boba do álbum, que poderia começar passando uma impressão bem melhor. Em outros pontos positivos, tem uma mensagem legal, incluindo até uma linha sobre a permissão do casamento homossexual (Taylor disse que colocou só uma linha pra não tornar isso uma questão muito grande na música, como uma forma de dizer que ela acha que “quem você ama não deveria importar tanto para o resto do mundo”).

Ryan Tedder, produtor da primeira faixa, vai se redimir mais tarde no álbum, com I Know Places. Curiosamente, é a única aqui que eu imagino que possa ser cantada por Britney Spears, mesmo que só em sua fase In The Zone, e é uma das poucas sem seu colaborador de longa data Max Martin. A música fala sobre um relacionamento que meio que vive ameaçado por fatores externos aos dois interessados. O som completa a imagem bem caótica, ou frenética, de ter que correr e se esconder de alguém o tempo inteiro, como raposas de caçadores, na metáfora que a Taylor usa.

Partindo daí, uma coisa importante de mencionar quando se fala de música e Taylor Swift atualmente é que a melodia está profundamente ligada à letra em boa parte dos casos. Já aconteceu antes, quando Dear John soou exatamente como uma música do John Mayer e quando I Knew You Were Trouble soou tão caótica quanto ela quis que soasse. Mas essa foi uma das portas que a Taylor sentiu que abriu ao fazer um álbum pop: fazer cada música soar justamente como a emoção que quer passar ou como a inspiração veio pra ela.

A linda da Out of the Woods é o melhor exemplo disso. Ela soa como Haunted com Trouble, com um pouco de 80’s e 90% de algo completamente diferente, mas a letra é uma All Too Well mais concisa e com mais metáforas. Não vou me prolongar nelas, mas este link (em inglês) traz uma análise bem detalhada. O que interessa dizer é que mesmo o refrão bem repetitivo tem um propósito de ser daquele jeito: passar a agonia, o desespero de não saber onde está. Seja num bosque ou num relacionamento complicado, que é a metáfora dela. Por isso a batida é marcada e meio ~dark~.
All You Had To Do Was Stay é outro. A música partiu do “STAY!” do refrão, ouvido em um pesadelo, e foi construída em cima dele no dia seguinte, pela Taylor e pelo Max Martin. Ela contou que, no pesadelo, encontrava uma pessoa do seu passado e a única coisa que saía da sua boca era um “STAY!” bem agudo. A princípio, a música não parece tão memorável, mas vai melhorando a cada ouvida até você não conseguir mais pular. De verdade. E aí temos Bad Blood, que tem um belo “quê” de Katy Perry, justamente de quem aparentemente se trata a história de amizade acabada que a música retrata.

Wildest Dreams soa como Lana del Rey. O começo do refrão inclusive lembra o de Without You na melodia e no tom da voz. (Não estou reclamando, porque eu amo a música dela.) Wildest Dreams é mais óbvia que Treacherous, com trechos como “his hands are in my hair, his clothes are in my room” e batidas que lembram as batidas do coração. Mas o instrumental tem mesmo, como disseram os fãs que ouviram antes, um quê de Enchanted. É também uma das poucas músicas que podem soar como baladas no álbum.
As outras duas são This Love e You Are In Love, realmente baladas. A primeira foi a única que a Taylor compôs sozinha e teve produção do Nathan Chapman no álbum inteiro. Apesar disso, não se parece com os trabalhos anteriores da dupla. E a segunda foi uma parceria com o Jack Antonoff e levemente inspirada pelo relacionamento dele com a Lena Dunham. As duas são bem lentas, mas nenhuma lembra Last Kiss e Sad Beautiful Tragic, já podemos agradecer.

A que mais lembra algo que a Taylor tenha feito antes, apesar de mesmo assim não lembrar nada (??????), é a incrível Style, já declarada preferida da própria. Que melodia maravilhosa. Que refrão maravilhoso. Que trocadilho maravilhoso com o Styles do Harry. Clean é uma parceria com a britânica Imogen Heap, que você pode conhecer por Hide and Seek, que encerrou o último episódio da segunda temporada de The O.C.. Ela fez a maior parte das melodias e produziu a faixa, enquanto a Taylor fez a maior parte das letras.

Wonderland tem aquele clima mágico do lugar que dá nome à música e várias referências à história da Alice no País das Maravilhas, desde a curiosidade da menina até o sorriso do gato. Também tem uns “eh eh eh” que me lembram levemente a Rihanna. Mas é uma música bem maravilhosa e animada. E I Wish You Would, trabalhada com Jack Antonoff em uma melodia que ele criou, passa exatamente o que a letra quer passar. Retomando o que eu falei lá em cima.

Além das 16 faixas, a versão Deluxe do álbum, única lançada no Brasil, também traz três “mensagens de voz” da Taylor: I Know Places, I Wish You Would e Blank Space. Elas são uma demonstração do processo inicial da composição da maior parte das músicas, a primeira ideia, que pode continuar igualzinha ou mudar completamente até a versão final. Particularmente, eu amei I Know Places no piano e espero ouvir uma versão completa disso no futuro. E, além de tudo, todas as versões físicas trazem um pacotinho de fotos com 13 polaroids diferentes. São 5 conjuntos diferentes, totalizando 65 fotos. Cada uma tem um trecho de uma das músicas embaixo e todas são a coisa mais linda. O meu conjunto é o primeiro (com as fotos #1 a #13) e você pode ver um pouquinho na foto. ♥

A nova fase já começou com ~treta~, porém. Todos que acompanham a Taylor sabem que ela se recusava a colocar o material novo imediatamente no Spotify, porque ela gosta que cada artista decida o valor da sua música. Coisa sobre a qual eles não têm controle quando liberam as músicas no Spotify, que não diferencia o catálogo para usuários gratuitos e assinantes. Ela se recusou a liberar o 1989 nas primeiras semanas, como já tinha feito com o Red, mas, acredito que devido à pressão constante do Spotify, provavelmente rolou uma discussão nada legal pro lado do serviço. Acabou com Taylor tirando tudo que podia do seu catálogo lá. Sobrou a trilha de The Hunger Games, a de Valentine’s Day e um ou outro single que estivesse em uma compilação. Ela tem sido feita de heroína e vilã por todo mundo, da Sheryl Crow ao seu vizinho fã da Rihanna, desde que essa história saiu.

Aqui, só o que muda é que vou ter que usar o Youtube pra deixar links pra quem quer que leia isto ouvir direto do post:

Nota? 13 de 10 polaroids.

Singles

Shake It Off

Blank Space

Style

Bad Blood (feat. Kendrick Lamar)

Wildest Dreams

Out of the Woods

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2 comentários em “Taylor Swift – 1989 (2014)

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