Jordan Belfort – O Lobo de Wall Street


Só desafio de releituras e desafio de releituras e nada inédito por aqui, mas que saco! Então vamos com a minha mais recente leitura, o livro que inspirou o filme premiado e quase deu o merecido Oscar ao DiCaprio. Aliás, o post meio que vai ser sobre os dois.

Título: O Lobo de Wall Street
Autor: Jordan Belfort
Skoob
Sinopse: Durante o dia ele ganhava milhares de dólares por minuto. À noite gastava o mais rápido que podia, com drogas, sexo e viagens internacionais. Esta é a história de Jordan Belfort, mais conhecido como Lobo de Wall Street, um gênio do mercado de ações cujas artimanhas acabaram levando-o para a prisão. Nesta autobiografia, ele narra com uma sinceridade tocante como realizava as suas operações e como foi viver no topo do mundo.
(no Brasil pela Planeta)

Conheci O Lobo de Wall Street provavelmente do mesmo jeito que você: pelo filme. Não tinha ouvido falar muito, na verdade, até saírem críticas bem positivas sobre a atuação do incrível Leo na sua nova parceria com o incrível Scorsese. Entrei na sala de cinema sem saber o que esperar, porque não havia visto nem trailers direito. Se eu soubesse o que esperar, talvez não tivesse ido ver. Foi melhor assim. Apesar de ser o que normalmente seria identificado como “pesado demais para o meu gosto”, eu amei. Sério, o filme é tão bom que não dá pra notar direito as três horas de duração.
Jordan Belfort, nosso protagonista, interpretado perfeitamente pelo Leo DiCaprio no filme, é um cara extremamente inteligente e persuasivo. No começo da história do filme, que aparece em flashbacks no livro, nós o vemos chegar a Wall Street cheio de expectativas, boas intenções e, digamos, inocência. Esse Jordan quer, sim, ficar rico e realizar o “sonho americano”, mas é pacato, não usa quilos de drogas, não usa dez palavrões por frase, não é casado com uma modelo, não trai a mulher e não faz ideia do que o espera. É um homem inteligente, bom vendedor, que está entrando na jaula dos leões para realizar seu sonho. Ou algo assim. Mas aí, depois de ver alguma verdade nos conselhos do seu mentor Mark Hanna (no filme, Matthew McConaughey, incrível, como sempre), Jordan vai mudando até que muda completamente, trazendo à tona um viciado em drogas e em sexo, um cara tomado pela ganância, um criminoso profissional na arte de parecer inocente. A resenha do Pixeland explica bem essa corrupção dele.
Bom, o que acontece é que, depois do crash de 1987, que lhe tira o emprego na L.F. Rothschild, Jordan abre sua própria empresa, a Stratton Oakmont. Não entendo muito os detalhes técnicos, por mais que tenha tentado, mas a ideia básica, que ele aprendeu na L.F. Rothschild, é vender ações sem valor nenhum pra pessoas bem ricas por um preço bem alto, basicamente botando o dinheiro delas no seu bolso. Algumas tretas tornam tudo isso ilegal, uma fraude. Mas quem liga pra isso, né? O que interessa é que os “strattonitas”, como se chamavam os corretores, ganhavam uma quantidade imoral de dinheiro. E gastavam uma quantidade imoral de dinheiro pra manter um padrão imoral de vida, uma espécie meio deturpada do sonho americano que eu falei lá em cima. Eram um bando de loucos, mas um bando de loucos que ganhavam muitos milhões por ano lá na década de 1990. O filme, aliás, é bem 90s. Apesar de “90s” ser algo difícil de definir, você consegue reconhecer a época retratada.
E, claro, chega um momento em que alguém no FBI fica obcecado com essa gente ganhando uma quantidade imoral de dinheiros com fraude, vai atrás e consegue prender Jordan e Seus Amigos por lavagem de dinheiro. Demora, mas chega. Em algum momento antes da prisão, nosso protagonista sai das ilegalidades do que fazia e, em algum momento depois de sair da prisão, resolve dar palestras motivacionais. E, além de ser autor de dois best-sellers mundiais autobiográficos muito bons traduzidos para 40 idiomas e transformados em filme, é isso que faz pra viver hoje em dia.

Agora vamos ao livro, que eu não planejava ler logo, mas sabe como é. O namorado comprou, o livro ficou aqui no topo da pilha, a capa ficou me encarando… Li.
Não é um livro rápido. Não é gigante, também. Tem umas 500 páginas. Mas eu levei uma semana, lendo entre 50 e 100 páginas todos os dias. Tem o mesmo feeling que o filme teve e a narração do Jordan é muito legal. Claro, você passa boa parte do livro querendo dar um soco nele, ou pior, mas a narração é muito boa e irônica. É também uma história incrível, apesar de tudo que tem de moralmente e legalmente errado em praticamente todas as frases.
Cronologicamente, o livro só pega um pedaço do que o filme mostra, deixando o resto por conta de flashbacks constantes. Começa quando Jordan já está com problemas no segundo casamento, já ganha absurdos com a Stratton e já planeja guardar dinheiro na Suíça, e acaba com sua reabilitação e um breve resumo do que se seguiu. O que se passa na sua cabeça é, obviamente, mais detalhado aqui, apesar de o filme fazer um bom trabalho ao mostrar. Alguns acontecimentos foram contados de jeitos diferentes nas duas mídias também, mas sem muito prejuízo à história ou à crítica que Belfort faz a si mesmo e Scorsese faz à situação.
Algo que é importante notar é que o filme só existe hoje porque o DiCaprio ficou obcecado com a história e com a ideia de interpretar o Belfort na época em que o livro saiu. Então aparentemente foi ao seu diretor preferido pedir apoio no projeto, ou sei lá como aconteceu nesses detalhes. Só sei que o filme é independente em termos financeiros, então chuto, pelo pouco que entendo, que os dois bancaram o projeto sem nenhum estúdio grande, envolvendo estúdio grande só na distribuição.
É um livro engraçado, ou talvez divertido, por ser tão absurdo. E preocupante. E frustrante, especialmente se você se coloca no lugar de Nadine (no filme, Naomi, interpretada pela Margot Robbie, de Pan Am ♥), esposa do Jordan no período do livro. Odiei todas as linhas de Danny Porush tanto quanto odiei todos os segundos de “Donnie Azoff” no filme (desculpa, Jonah Hill, mas sua atuação foi incrivelmente convincente ao mostrar o jackass que esse cara era).
Talvez eu esteja perdendo informações por não ter lido a continuação ainda. Se estiver, posso ler e fazer uma continuação do post no futuro. Mas, por enquanto, deixo o primeiro livro com um 10 de 10 e o post com o trailer do filme.

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