Hanson – Anthem (2013)


“2013? Eles voltaram?”
Voltar de onde, criatura? Eles nunca foram embora, apesar do que você possa pensar. E ficam cada vez melhores.

Você se lembra do trio de meninos loirinhos que cantavam palavras inventadas, cada um tocando um instrumento, estampavam as capas das revistas sobre música e das destinadas às adolescentes. Mas isso foi em 1997. Hoje, os irmãos Isaac, Taylor e Zac Hanson têm, respectivamente, 33, 30 e 28 anos e seus álbuns, lançados em média a cada três anos, são lançados pela gravadora própria deles, a 3CG Records. Há menos atenção da mídia, mas um ainda grande número de fãs fiéis em todos os shows. E já mencionei que eles continuam melhorando? Quer dizer, eu participei da febre MMMBop (1996), tinha meus vícios no This Time Around (2000) e no Underneath (2004), ouvi um pouco o The Walk (2007), adorei o Shout It Out (2010), mas nunca tinha encerrado um ano com uma certeza que tive em 2013, de que um álbum do trio era o melhor que tinha ouvido naquele ano. Sim, Anthem é, na minha opinião, o melhor que ouvi em 2013. E é por isso que fiz questão de falar dele aqui.

hanson-anthem

É no Anthem que, ao meu ver, os 21 anos de história da banda se concentram da melhor forma possível: o pop grudento do Middle of Nowhere, o pop rock do Underneath, a influência do soul e do funk no Shout it Out, as vozes e as habilidades musicais dos irmãos.

Fired Up é agitada, rock e vem acompanhada de um pandeiro. I’ve Got Soul, como o nome deixa claro, puxa a influência do soul do álbum anterior. You Can’t Stop Us, apesar de ser mais rock, também me fez perceber a influência do Shout It Out. Todas deixam a impressão de funcionar muito bem ao vivo. Sabe o 30 Seconds to Mars, que tem uma energia maluca ou sei lá o que nas músicas que deixa quase todas melhores ao vivo? Por aí. Não por acaso, grande parte dos shows da atual turnê mundial dos Hanson, Anthem World Tour, são abertos por uma combinação dessas três músicas.
O single-do-ano-na-opinião-da-Jéssica, Get The Girl Back, foi obviamente meu primeiro contato com o álbum. E poucas músicas me pegaram de primeira como essa, criando uma expectativa monstruosa para o que viria, e não decepcionaram. Acontece que ela é exatamente uma síntese dessa evolução que o Anthem representa, além de extremamente grudenta. E continua um dos destaques. Juliet, baladinha modernizando Shakespeare, é mais um dos destaques. É aquele momento do show em que Zac troca de lugar com Taylor, assumindo os vocais principais enquanto o irmão vai mostrar que também sabe tocar bateria. Já Already Home, minha música preferida no ano inteiro (ganhando por pouco das duas anteriores), é animada e pop-rock e tudo é tão encaixado e em harmonia que… minha música preferida, ponto. E a letra tem alguns dos meus trechos preferidos: “if you’ve really lost something, maybe you should start where you’ve been before”, “if you can’t see it, why don’t you open your eyes?” (o óbvio que ninguém enxerga) e “when you’re all fed up being down, you can come home to this town” (lembra bem Who Says You Can’t Go Home do Bon Jovi, não?). For Your Love, que tem todo um toque especial por ser aquela rara espécie de música cantada pelo Isaac, tem climão de baladinha dos Backstreet Boys em 2000. MESMO. Em alguns momentos, é como ver Show Me The Meaning of Being Lonely renascer e isso é absolutamente lindo.
Encerrando a “melhor sequência que vi em um álbum em muito tempo”, vem Lost Without You, uma daquelas que puxam pro rock, com guitarra marcante, e fica incrível ao vivo. Mas também é uma daquelas que começam com um arranjo bem simples e vão crescendo, explodindo no refrão. Cut Right Through Me… Gente, mas alguma dessas músicas NÃO vicia? Essa é mid-tempo animadinha com uma guitarra bem legal. E Scream And Be Free é, citando o próprio título do álbum, anthemic no refrão. Aqui eles brincam com backing vocals, melodias diferentes e a letra passa uma mensagem legal de “a vida é sua, faça o que quiser e aproveite o tempo que tem”. Bem feel-good também.
Tragic Symphony retoma o som do Shout It Out com TUDO pra falar do que parece ser uma pessoa manipuladora. E de alguém que “won’t put up with their shit”. Tonight passa quase a mesma mensagem que Scream And Be Free, mas com bem mais piano. E o piano continua na última, Save Me From Myself, uma das mais lentas do álbum. Na verdade, essa música é uma ‘encore’ ou ‘hidden track’, pelo que eu vi. Na tracklist do site oficial, tem um monte de faixas “Untitled” entre Tonight e ela. O destaque aí? Com certeza o vocal.

13/10! Infelizmente, este é um dos poucos que falo aqui e não tenho a versão física ainda. Desvantagens de morar no Brasil: o frete pra cá, no site oficial deles, é quatro vezes o preço do produto. Comprar o CD (mais o DVD Live In New York) se torna inviável. Assim como uma action figure no site da 2K Games ou uma caneca no ThinkGeek. Por isso que a foto do post é a genérica “catei no site da Rolling Stone”. Aqui embaixo, como de costume, os destaques e singles. Mas, epa, só tem um single. Então de bônus vai o show do DVD Anthem Live in New York, mais uma entrevista legal na MTV Brasil durante a passagem da Anthem World Tour por aqui.

Destaques:
02. I’ve Got Soul
04. Get The Girl Back
05. Juliet
06. Already Home
07. For Your Love
08. Lost Without You
10. Scream And Be Free

Get The Girl Back

Anthem Live in NY

Entrevista

Encerrando com uma coisa legal que o Isaac fala nessa entrevista, quando perguntado sobre a música brasileira:
– Sempre que estamos aqui, eu fico animado com a música local. É ótima. Tem um monte de coisa muito boa. Mas, infelizmente, por causa daquele “Como se chama uma pessoa que fala três línguas? Trilíngue. Como se chama uma pessoa que fala duas línguas? Bilíngue. Como se chama uma pessoa que fala uma língua? Americano.”, nós americanos não somos muito bons no português. Então, em muitos casos, a música não chega lá.
[Everytime we’re down here, I get really excited about the local music. It’s great. There’s a lot of really really good stuff. But unfortunately, because of the fact that “What do you call a person who speaks three languages? Trilingual. What do you call a person who speaks two languages? Bilingual. What do you call a person who speaks one language? American.”, we, americans, are not particularly good with our portuguese. So, in a lot of cases, it doesn’t translate to the US.]

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Um comentário em “Hanson – Anthem (2013)

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