Sidney Sheldon – O Céu Está Caindo


Como vou falar melhor no Desafio das Releituras de Junho, conheci o Sidney Sheldon pelos meus pais. Acho que minha mãe comprou Se Houver Amanhã de presente pro meu pai quando eu tinha 14-15 anos e eu li depois que os dois acabaram de reler. Daí em diante, com grande ajuda das Lojas Americanas e suas promoções de dez reais, foram mais uns cinco ou seis que compramos em pouquíssimo tempo. O Céu Está Caindo foi o único que não li naquela época, até acabei esquecendo que não havia lido e só resolvi pegar mesmo quando voltei pra casa na Páscoa… E não é que fiz bem?

2014-04-18 12.23.43
Título: O Céu Está Caindo
Autor: Sidney Sheldon
Skoob
Sinopse: O romance conta a história de Dana Evans, jornalista que volta de uma temporada em Sarajevo, na Bósnia, onde adotou um problemático menino de doze anos que perdeu sua família na guerra. Ao entrevistar um jovem milionário candidato ao senado americano – o descendente de uma das famílias mais poderosas do mundo -, envolve-se em um caso intrigante e perigoso.
(no Brasil pela Record)

Por que acho que fiz bem? Porque uma das coisas que mais me impressionaram na leitura e na história me remeteu muito ao Bioshock, e eu não sei se teria achado tão legal antes de jogar. Adicionou novas referências ao jogo, pra mim. Ou melhor, explicitou algumas que eu não conhecia. E o que é melhor que entender e amar mais ainda o seu jogo preferido?
Mas essa parte só acontece perto do final, então não posso nem comentar muito sobre, porque vira spoiler. O livro é legal por inteiro. Dizem que é o pior do Sheldon e, bom, preciso discordar. Um Estranho no Espelho ocupa esse lugar pra mim, por ser o único do autor que eu quase desisti. A trama de O Céu Está Caindo é complexa, com referências desde as reais de guerra até o Chicken Little, e quase tão cruel quanto o padrão dele, mas menos pessoalmente, fisicamente, cruel com a protagonista. É mais uma história de corrupção, espionagem, e me lembrou o jeito como os temas são tratados no filme novo do Capitão América, que achei o melhor da Marvel até hoje.
A protagonista, a jornalista Dana, é irremediavelmente curiosa e corajosa e faz qualquer coisa por uma história, mesmo que isso signifique correr risco de morte em vários países diferentes. Seu filho adotivo, o sobrevivente de guerra Kemal, dá uma outra visão sobre o comum tema do bullying. Ao enfrentar aqueles que o ofendem (e a Dana), o menino se deixa ser expulso do colégio para não passar pela vergonha de repetir o que o ofendeu. Ele não quer ser fraco e não quer que os outros saibam o tipo de coisa que o colega fala. Matt, colega de trabalho de Dana e também cúmplice nessa ideia maluca de perseguir uma história mal-contada como é a da morte da família Winthrop, é outro personagem carismático que me agradou.
Alguns personagens me surpreenderam de verdade, outros nem tanto. O General Booster, da FRA, foi uma das minhas melhores surpresas do livro. Às vezes, as pessoas são apenas grosseiras e têm bons motivos pra isso. Apenas um dos traidores não me surpreendeu, enquanto outros personagens me deram falsas suspeitas. Concordo com os que reclamam do livro em um ponto: o fraco da história, no tocante a personagens, é o Jeff, namorado da protagonista. Fica sumido por 90% do livro, em um arco que tem um final estranho e aleatório, voltando apenas para salvar o dia. Não me convenceu.
Sobre o tema geral, eu via do mesmo jeito que a Dana desde que foi citado. Todos os membros da mesma família morrerem em um curto intervalo de tempo? Por que o resto do mundo não via como isso obviamente não era uma “infeliz coincidência”? Por que ela foi a única que teve o bom senso de ligar os fatos? Provavelmente se deve à reputação imaculada que a família Winthrop tinha adquirido com o tempo, supostamente não dando nenhum motivo para um assassinato em massa, que não fosse dinheiro. E dinheiro nenhum foi levado. Mas, mesmo assim, não entendo como ela foi o único ser iluminado que pensou nessa possibilidade, além da metade do mundo que estava envolvida nos assassinatos.
Apesar disso, no geral, foi um livro que me agradou muito. Não o melhor do Sheldon, porque não se chama A Ira dos Anjos – que estou ansiosa para reler -, mas bom. Com seus defeitos, ainda passa longe de ruim, principalmente por causa da determinação da protagonista, que parece puxar a gente pra frente na leitura. Além do mais, apesar de cruel, o livro tem uma tortura mais psicológica. Tem mortes explícitas, mas não fica nojento/físico, o que é bem diferente de momentos de tortura sexual que o autor descreve em outros livros. Uma mudança boa o bastante pra mim. Um 4 ou 4,5 de 5.

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