Desafio das Releituras: Fevereiro


Havia muuuitos anos que eu não abria um dos livros da série Harry Potter. Foi, em parte, por isso que resolvi participar do desafio das releituras e incluir alguns deles na minha lista, a partir do primeiro. Ótima decisão! <3

2014-02-24 07.37.40
Título: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Autora: JK Rowling
Skoob
Sinopse: Harry Potter é um garoto comum que vive num armário debaixo da escada da casa de seus tios. Sua vida muda quando ele é resgatado por uma coruja e levado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Lá ele descobre tudo sobre a misteriosa morte de seus pais, aprende a jogar quadribol e enfrente, num duelo, o cruel Voldemort.
(no Brasil pela Rocco)

Entre acabar de ler e preparar este post, tinha minhas leituras obrigatórias da faculdade a fazer também. E eis que, em uma delas, não pude parar de pensar exatamente neste desafio e no que significa reler, digamos, um dos livros que mais marcou sua vida, há mais de uma década. Me refiro a um artigo de Ítalo Calvino, chamado “Por que ler os clássicos?”, publicado pela Companhia das Letras em um livro de mesmo nome. Por que não pude parar de pensar? Vou destacar um trecho da terceira página e não preciso responder.

“Por isso, deveria existir um tempo na vida adulta dedicado a revisitar as leituras mais importantes da juventude. Se os livros permaneceram os mesmos (mas também eles mudam, à luz de uma perspectiva histórica diferente), nós com certeza mudamos, e o encontro é um acontecimento totalmente novo.”

Como já falei lá no comecinho, não lia nenhum HP há muito tempo. MUITO. Os filmes sempre acabam me prendendo quando passo por eles ao trocar de canal na TV. Mas os livros… Na época em que tive contato com eles pela primeira vez (minha terceira-quarta série, 2001-2002), não tinha duzentos outros para ler ou uma pilha de pelo menos cinquenta na minha própria casa, então relia mais frequentemente. Acho que o Cálice foram cinco vezes, enquanto o final do Câmara era minha “bedtime story” diária. Até um tempo atrás, ainda era mais fácil – devo ter lido A Mediadora, da Meg, umas sete vezes, lá pra 2006-2007 -, mas hoje são tantos lançamentos e tantos clássicos pra correr atrás que fica difícil. Foi, inclusive, a explicação da Larissa pra criar o desafio.
Sobre HP: fazia tanto tempo que eu não me lembrava nem como era engraçado. Não lembrava como os Dursley eram um tipo de trouxa pior ainda que o retratado no filme. Não lembrava o quanto gostava da cena inicial do Draco, antes de sabermos que é o Draco. Lembrava muito bem de algumas frases, especialmente as que foram repetidas quase na íntegra na adaptação para o cinema, que devo ter memorizado na quarta série.

Bom, entre a primeira e a (atualmente) última vez que li A Pedra Filosofal, passaram-se quase doze anos. Eu mudei, apesar de ainda relutar a usar o termo “vida adulta”, e a história também mudou. Não, as palavras impressas naquele livrinho lindo não mudaram, mas a ciência de tudo que acontece depois carrega um peso enorme ao revisitar o começo. Não só o “Olha o Fulano aparecendo pela primeira vez, aaaahhh! Por que ele teve que morrer?”, apesar de isso fazer parte. Também faz parte o conhecimento sobre o universo criado, porque vamos conhecendo um pouco mais sobre ele a cada página da série e a cada frame dos filmes. Quando o Hagrid menciona que não pode fazer mágica porque foi expulso, saltamos mentalmente para O Prisioneiro de Azkaban. Quando é dito que Snape cobiça o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, saltamos para O Enigma do Príncipe.

E, depois desse tempo que tornou a série nostálgica e (mais) clássica, dá pra ver como é um negócio quase universal gostar de Harry Potter. Por quê? Porque ler essa série em público traz algumas experiências bem… interessantes. Vou relatar porque o post é meu e faço o que quiser.
No primeiro dia em que saí com o livro, sentei no metrô voltando da faculdade e fiquei lendo. Pouco depois, percebo que o cara do meu lado está olhando concentrado a página. Na saída, conversando sobre isso, ele falou que não resistiu, porque foi o primeiro livro que leu, há tantos anos. Deve ser a mesma situação que a maior parte das pessoas da minha faixa etária, que, com seus 8 ou 9 anos, estavam descobrindo a literatura. Eu me incluiria nessa parcela, se não tivesse me apaixonado pelos detetives da Turma dos Tigres e descoberto o Mistério dos Números Perdidos antes de dar uma chance ao bruxinho da cicatriz de raio.
No segundo dia, uma nova colega da faculdade – é, quando se começa outra vez, todos os colegas são novos – também ficou nostálgica ao ver minha releitura da vez. Daí em diante, entramos em uma discussão sobre o autor serial killer, como a própria JK, a tia Suzanne e o R. R. Martin. E, na volta da aula, em um metrô praticamente vazio, a outra menina que carregava um livro também pareceu nostálgica. E ainda compartilhava da minha infinita curiosidade em descobrir o nome do livro alheio – ou o sofrimento ao não descobrir -, então foi suficientemente legal pra me deixar ver a capa do dela.
Nos outros, nada relevante. A menina de camisa da Grifinória no terceiro dia nem percebeu meu livro quando passou por mim.

Confesso: só li depois de ver o filme. Aliás, ainda li o segundo antes. Minha mente de 9 anos não imaginava como as diferenças entre o livro e o filme poderiam ser significativas, então fui direto à sequência depois de devolver a fita alugada (ou já era dvd, não lembro). Depois é que decidi ler o primeiro, por dois motivos: a ciência de que aquela história tinha algo diferente e a vontade de algo novo daquele mundo.
Um pouco mais tarde, ainda em 2002, começamos um questionário sobre a série, até onde tínhamos lido. Se não me engano, as perguntas iam de “No primeiro ano, quem é o monitor da Grifinória?” a “Quais eram os obstáculos para chegar à Pedra Filosofal?” e eram extremamente decisivas na hora de escolher novas pessoas para passar a aula inteira conversando sobre o assunto. Acho que continuamos adicionando perguntas a esse questionário até 2004, quando se esgotaram as possíveis sobre o quinto livro. Não duvido que surgisse uma do tipo Desenhe a árvore genealógica dos Black se mais tempo se passasse.
HP foi muito marcante pra mim na época porque eu não estava acostumada com essa noção de comparar filme e livro. Depois, comecei a prestar atenção aos mínimos detalhes e ficava dividida entre reclamar do que faltou e achar lindas as coisas novas. Acho que até hoje sou assim, então acho que devo muito a isso. Há mais pra falar, mas deixo pro Câmara, que foi realmente o primeiro que li e que iniciou algumas coisas pra mim.

Como falei láááá em cima, tinha realmente esquecido alguns aspectos desse livro e da série ao todo, porque havia muitos anos que não lia nenhum, só via os filmes com certa frequência. Lembrava perfeitamente da história, de algumas frases, até que não apareceram no filme, mas a escrita da Rowling torna tudo diferente.
Há alguns livros que a gente gosta quando criança e depois de uns anos fica OH GOD WHY, mas aqui não é um desses casos. Não por pura nostalgia, foi muito bom voltar a Hogwarts. Um lugar mágico (ba dum tss), uma história simples e complexa ao mesmo tempo e que dialoga com todas as idades. E é tudo bem construído e a autora vai revelando mistérios gigantescos aos poucos, porque você, assim como Harry, pode viver um pouco “em paz” nesse mundo até que precise saber tudo. [Maior emoção: contracapa do quinto livro. “Dumbledore baixou os óculos de meia-lua e disse: – Sente-se, Harry, vou lhe contar tudo.” Acho que vou reler por conta própria depois, além do Desafio.]

Bom, acho que é isso. Demorei um pouco pra começar o livro e pra acabar o post, mas tá aí. E como anda o seu desafio das releituras? (:

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Um comentário em “Desafio das Releituras: Fevereiro

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